O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Carta ao Tom 2017

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“Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando pra Elizete as canções de Canção do Amor Demais
Lembra que tempo feliz, ai que saudade, Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria este Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela e além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor”

O ano era 1974. O Brasil vivia há uma década sob a opressão do regime militar, o Rio de Janeiro já sentia os primeiros sinais da decadência provocada pela transferência da capital para Brasília, e o crescimento desordenado da cidade começava a expor o terrível contraste entre os modernos edifícios e as favelas, ainda em fase inicial de expansão. Os dias de glória da cidade, principal cartão postal do país, nosso antigo centro político e cultural, berço da bossa-nova de João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, já tinham ficado para trás.

A letra que inicia esse artigo, de autoria de Vinícius e Toquinho, e direcionada a Tom Jobim, é ao mesmo tempo uma declaração de amor ao Rio e um desabafo a um querido amigo. Repleta de saudosismo e melancolia, a canção expõe o desgosto de quem havia vivido os tempos áureos da cidade, e naquele momento acompanhava com tristeza sua crescente degradação. Imaginem só se ele vivesse nos dias de hoje...

O Presidente da Assembleia Legislativa do estado e três ex-governadores presos, o atual mandatário em liberdade apenas por gozar de foro privilegiado, o prefeito absolutamente inoperante, a violência fora de controle, empresas fugindo do estado, servidores sem receber há meses, hospitais e escolas funcionando de forma completamente precária. Um cenário que nem em seus piores pesadelos, o poetinha imaginou que pudéssemos chegar.

Resultado de um série de escolhas equivocadas, gestões incompetentes e coroada por 20 anos sob o comando da quadrilha do PMDB, a dramática situação do Rio pode ser comprovada em números: 

- O PIB do estado encolheu 7,2% no biênio 2015/16 e, conforme estudo da Tendências Consultoria Integrada, chegou a um patamar semelhante ao do início da década.

- De acordo com o IBGE, no segundo trimestre desse ano, o desemprego chegou a 15,6% da população em idade ativa (segundo maior do país) e o consumo das famílias caiu 10% nos últimos três anos.

- Segundo o Clube de Diretores Lojistas do Rio, apenas no mês de junho, 914 lojas de rua fecharam na capital do estado.

- No primeiro semestre de 2017, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, o número de mortes violentas no estado chegou a quase 3,5 mil, maior índice desde 2009.

- De acordo com um levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social, a população vivendo nas ruas da cidade do Rio triplicou em apenas 4 anos, superando, ao final do ano passado, a marca de 14 mil pessoas.

O Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço e o caminho para sair dele parece longo. Possivelmente serão necessárias algumas décadas até que Rio retome padrões de desenvolvimento humano e econômico minimamente aceitáveis.

De qualquer forma, é necessário romper esse ciclo negativo e se libertar de vez desse poder nefasto que tomou conta do estado. Que aproveitemos a oportunidade que se apresenta a nossa frente, e façamos a nossa parte, iniciando essa limpa já nas eleições do ano que vem.

É, meu amigo, só resta uma certeza, é preciso acabar com a roubalheira, é preciso eleger um bom gestor...

Vai tomar no cu!

Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência