O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Economia, a caixa preta de Jair Bolsonaro

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Sim, ele é tosco... Sim, sua atuação parlamentar é medíocre... Sim, ele é desagradável, agressivo, intolerante e intransigente... Mas é inegável que Jair Bolsonaro hoje é um sério postulante ao Palácio do Planalto. Ignorar essa condição é fugir da realidade que se apresenta claramente aos olhos de todos.

Aproveitando-se da lacuna deixada pela decadência do PSDB, envolvido em uma série de escândalos e talvez por isso sempre complacente com Lula e o PT, Bolsonaro foi protagonista de uma ascensão política meteórica. Foram menos de 5 anos para deixar de ser um deputado pouquíssimo conhecido fora do Rio de Janeiro e se transformar em um verdadeiro fenômeno eleitoral, capaz de desafiar as forças políticas mais tradicionais e ser considerado uma espécie de anti-Lula.

Apoiado em uma plataforma ultra-conservadora, o polêmico ex-capitão do Exército, Jair Bolsonaro, conquistou uma parcela significativa do eleitorado e já aparece na segunda colocação em todas as pesquisas de intenção de votos, justamente atrás do ex-Presidente Lula. Um feito considerável, mas que ainda pode não ser suficiente.

Bolsonaro precisa, se quiser realmente se tornar Presidente da República, conquistar os votos dos moderados, de eleitores liberais, de centro e de centro-direita, precisa ampliar seu raio de ação e precisa principalmente conquistar o empresariado, ainda extremamente reticente com sua candidatura. É fundamental apresentar um projeto de país viável e para embasar isso é necessário expor suas ideias no campo econômico. E é exatamente aí que reside a maior dificuldade e o maior entrave de sua campanha: Bolsonaro não entende nada de economia.

Em tese, não entender de economia não chega a ser um empecilho para que um candidato seja eleito, vide Lula em 2002, que se cercou das pessoas certas, venceu a desconfiança e a eleição, e até promoveu uma política econômica de sucesso, em especial no seu primeiro governo. O problema de Bolsonaro é que além de não entender do assunto, ele e sua equipe tem sido demasiadamente cautelosos e por isso tem evitado se expor nessa questão, dando fortes indícios que talvez o que eles tenham a dizer não seja o que exatamente o que esses potenciais eleitores queiram ouvir.

Na última semana, pela primeira vez desde que se declarou candidato, o deputado fluminense, abordou ainda que superficialmente o assunto. Buscando agradar o empresariado, mencionou o objetivo de promover uma taxa de juros de apenas 2%, mas não apresentou nenhuma argumentação fundamentada de como criaria as condições para isso. Não causou o efeito esperado e para piorar, falou que pensaria 200 vezes antes de privatizar a Petrobras e outras empresas estratégicas. Bola fora do candidato, mas que não chega a surpreender. Resgatando-se entrevistas antigas do deputado fluminense, da época do Governo Fernando Henrique, é possível vê-lo ofender e até ameaçar o então Presidente, atacando viés liberal de sua política econômica.

A campanha eleitoral oficialmente ainda não começou e ainda temos 8 ou 9 meses para que isso aconteça. Quando se trata de Brasil, isso é uma eternidade e muita coisa pode acontecer até lá. Hoje é impossível determinar o resultado da corrida presidencial, mas pode-se ter certeza de uma coisa: Jair Bolsonaro terá uma votação expressiva, mas que só será suficiente para sonhar com uma vitória se ele abrir a sua caixa preta e apresentar projetos econômicos convincentes, caso contrário, será o mesmo de tantos outros que nadaram e morreram na praia.

Michel Temer indo ladeira abaixo

Nau à Deriva