O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Violência urbana, a tragédia brasileira

Recentemente, no texto O Brasil perdeu a sensibilidade para o absurdo, abordamos como no Brasil, nos acostumamos com serviços públicos de baixa qualidade. Aceitamos como se fosse normal que um país com as riquezas que o nosso possui, tenha tantos problemas graves. De certa forma, perdemos a capacidade de nos indignar diante do absurdo.

Na última sexta-feira, foi noticiado que o iatista espanhol Fernando Echávarri, que passa uma temporada no Rio de Janeiro por conta dos treinos para os Jogos Olímpicos, que se iniciarão na cidade em pouco mais de 2 meses, foi vítima de um assaltado a mão armada, em plena luz o dia. O medalhista de ouro em Pequim 2008, que estava na companhia de dois colegas de equipe, contou ter sido abordado por 5 rapazes, portando uma pistola, em Santa Tereza, quando saía para tomar café da manhã na Glória. Embora nada de mais grave tenha ocorrido, Fernando contou em entrevista para o jornal O Globo, que essa foi apenas a segunda vez na vida que foi assaltado. A outra, ocorrida em 2009, por acaso também teve como cenário a Cidade Maravilhosa.

Nossa reação ao ler uma notícia como essa, geralmente não passa de: "Ah, foi só mais um assalto". Nos acostumamos a acompanhar esse tipo de notícia com indiferença, afinal faz parte do triste dia a dia de praticamente todas as capitais brasileiras. Só para se ter uma idéia, no ano de 2014, foram registrados 158.078 assaltos, sendo 80.558 a transeuntes, só na cidade do Rio de Janeiro. Em 2015, na cidade de São Paulo foram registrados mais de 600 casos de sequestros-relâmpago. Segundo recente pesquisa, no Brasil são registrados 10% dos homicídios do mundo. Em 2014, por exemplo, 59.627 pessoas morreram assassinadas no país, número maior que o de soldados americanos mortos em combate durante toda a Guerra do Vietnã.

Mas então, qual é a solução para esse drama? A violência é uma realidade inerente à vida em grandes cidades? Viveremos eternamente em uma país onde a cada 9 minutos, uma pessoa é assassinada? A resposta pode ser dada através de exemplo concreto de sucesso no combate a criminalidade: a cidade americana de Nova York.

Até o início da década de 90, Nova York era uma das cidades mais violentas do mundo. Para se ter uma idéia, no ano de 1990, 2.245 pessoas foram assassinadas na cidade. O crime organizado aterrorizava moradores. As pessoas tinham medo de circular pelas ruas à noite, existiam bairros inteiros dominados por gangues. Até que em 1993, o candidato republicano Rudolph Giulliani foi eleito prefeito. Através da implementação de uma política de tolerância zero, onde até mesmo os crimes mais banais era punidos exemplarmente, Giulliani conseguiu reduzir drasticamente as taxas de criminalidade na cidade. Reeleito em 1997, fez também seu sucessor, Michael Bloomberg, que deu continuidade a política adotada por seu antecessor e se manteve na prefeitura por 12 anos. O resultado foi extraordinário. Em 2014, apenas 328 homicídios foram registrados em toda a cidade, 85% menos que em 1990. Foi o menor índice desde 1928, ano que a série começou a ser contabilizada.

Muito se fala que a única maneira para se combater a violência é através de políticas sociais e principalmente através do investimento maciço em educação de base. Não há dúvida que essa é a solução mais eficaz e definitiva, mas ela funciona apenas no longo prazo. É fundamental que no curto prazo, haja também uma política de repressão implacável e que a impunidade seja combatida com seriedade. Não deve haver tolerância com qualquer espécie de crime. É necessário que a lei seja cumprida e que não haja complacência com aqueles que a desrespeitarem. Bandidos devem ser tratados como bandidos.

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