O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O contexto civilizatório brasileiro - Ensaio 1

O Brasil é um país extremamente diverso em todas as conotações que esta palavra possa ter. Nossa flora, fauna, mares, rios e montanhas estão entre os mais ricos que se pode encontrar. Acima de tudo, porém, chama atenção a diversidade de nosso povo. Índios, negros, brancos, amarelos e diversos outros subgrupos da espécie humana compõe o que chamamos de povo brasileiro. Não restam dúvidas dos potenciais benefícios advindos da interação e relacionamento de diferentes etnias colaborando para um mesmo projeto nacional de desenvolvimento econômico-social. Os Estados Unidos são o melhor exemplo de nação altamente diversa, que aproveitou as capacidades inerentes dos seus diferentes conjuntos populacionais para alavancar a inovação tecnológica e a melhoria das condições de vida de seu povo ao longo do tempo.

Voltando ao nosso país, conclui-se que, apesar de já termos uma população bastante diversificada, nos falta um real entendimento do que seria o estado nacional brasileiro, de onde viemos e onde queremos chegar, além de um projeto crível de desenvolvimento e líderes que possam dialogar com a sociedade visando a consecução deste projeto.

Neste primeiro ensaio sobre o tema, atacaremos o primeiro problema acima levantado e as possíveis explicações para a sensação de que boa parte dos brasileiros meramente “flutua” em seus cotidianos, buscando o melhor para si, mas sem trazer consigo um verdadeiro sentido de pátria e de que fazemos parte de algo maior que nós mesmos.

Em suma, a evolução histórica do Brasil, em sua maior parte, não foi ditada pelos anseios ou pela luta de seu povo. Desde a época colonial, passando pelo processo de independência até as diversas constituições, regimes democráticos e ditatoriais, poucas mudanças impactantes em nosso processo de formação enquanto país não foram orquestradas, planejadas e implantadas por pequenos grupelhos políticos que muitas vezes sequer tinham representatividade ou diálogo com as maiores camadas populacionais.

Da mesma maneira, por mais efeitos negativos que possam ter, não há na história brasileira grandes exemplos de conflitos em larga escala que tenham mobilizado nossa população para a luta, defesa de território ou feito com que nosso povo tivesse que enfrentar dificuldades além da pobreza do dia a dia, que infelizmente não costuma contribuir a formação de uma consciência político-nacional, ao contrário de privações ocasionadas por conflitos armados como os experimentados no continente europeu.

Se esta evolução histórica relativamente pacífica, por um lado, ajudou a moldar a impressão de suposta tolerância e ausência de disputas significativas tanto interna quanto externamente, por outro lado, acarretou uma indiferença ou um conformismo em nossa população que inibiu o nosso progresso continuado e sustentável ao longo das décadas. Evidentemente, se analisarmos com cautela as décadas e séculos passados, podemos identificar importantes movimentos ideológicos com participação popular como foi o caso da Revolução Constitucionalista de 1932 ou mesmo a mobilização pela redemocratização do final da década de 1980.

Não obstante, é forçoso reconhecer que o povo brasileiro foi mero coadjuvante nos principais momentos que pautaram a formação de seu país. A mudança deste paradigma, algo que há muito já deveria ter ocorrido, é imperioso para a ainda distante ascensão do Brasil ao grupo de países do chamado 1º. mundo se concretize.

Nos dias atuais, é possível identificar um maior engajamento político de nossa população, seja para apoiar ou para atacar o governo. As redes sociais têm possibilitado uma ampliação do diálogo e do debate político. Evidentemente, excessos são cometidos por todos os lados e muitas vezes as discussões não são tão respeitosas como gostaríamos. Ainda assim, penso que qualquer ampliação do debate envolvendo o destino político e o futuro do país é bem-vinda e colabora para diminuir este déficit histórico de compreensão e definição do Estado brasileiro e de seus objetivos estratégicos.

Como analisado em artigo anterior, não temos tempo a perder. Precisamos de uma nova geração de líderes políticos que coloquem o Brasil de vez em uma estrada de desenvolvimento e progresso. Para que isto ocorra, é preciso que a sociedade debata cada vez mais temas que ainda são estranhos para boa parte das famílias brasileiras. Mais ainda, uma real compreensão do contexto civilizacional do Brasil, dos nossos valores e das nossas origens é igualmente importante para que possamos traçar uma estratégia desenvolvimentista efetiva. Este tópico, entretanto, será tema de um ensaio futuro...

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