O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Será que basta ser honesto?

Corrupção! Essa parece ser a palavra da moda no Brasil. O debate político parece hoje restrito a isso. Dilma ganhou a eleição roubando! Lula é desonesto! Fernando Henrique também era! Aecio não vale nada! O debate é extremamente válido e relevante na atual conjuntura política do país, mas será que honestidade é a única virtude que buscamos em um político quando vamos às urnas? Basta ele ser ficha limpa e ter boas intenções? E quanto a sua capacidade como gestor? E suas ideias? Isso importa menos?

Outro dia conversava com um amigo sobre a o futuro pleito para a prefeitura do Rio de Janeiro e ele tentava me convencer que Marcelo Freixo (PSOL) seria o melhor candidato. Deputado estadual por três mandatos consecutivos, Freixo ganhou notoriedade ao presidir a CPI das Milícias em 2008, servindo inclusive de inspiração para José Padilha na criação do personagem Diogo Fraga, do filme Tropa de Elite 2.

Unanimidade entre artistas e intelectuais de esquerda, Freixo foi o segundo colocado na disputa pela Prefeitura do Rio em 2012, quando obteve cerca de 30% dos votos válidos. Hoje, mais conhecido pelo grande público e tendo no currículo um trabalho sólido e bastante produtivo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado de 48 anos surge como um dos favoritos para a eleição desse ano. Mas e aí, será que ele merece meu voto?

Não questiono sua honestidade, me parece ser um sujeito sério e bem intencionado, e até admiro seu trabalho como deputado, mas basta um olhar de maneira um pouco mais profunda para ver que suas ideias são bastante diferentes das minhas. De acordo com o Programa de Governo lançado em sua candidatura à prefeitura em 2012, Freixo defende um Estado ativo, participante e interventor, fala em criação de diversas secretarias, sugere subsídios na área de transporte público, critica a política de remoções em ocupações ilegais e propõe a desmilitarização das polícias. Se votasse nele estaria violentando minhas próprias convicções políticas.

Na verdade, meu ponto aqui não é o debate das ideias em si. Tampouco pretendo avaliar os candidatos que participarão do pleito, que em um primeiro momento me parecem todos fracos. Com certeza até às eleições de outubro teremos tempo suficiente para esmiuçar as propostas de cada um deles. O que quero pontuar aqui é o que deve guiar nossas escolhas. Não podemos simplificar a questão e definir o voto única e exclusivamente pelo caráter do sujeito. Sim, isso é importante, diria até fundamental, mas é tão importante quanto as ideias que o candidato apresenta. O voto em um candidato que apresenta propostas das quais discordamos só porque ele é honesto é tão grave quanto votar em alguém que seja desonesto, mas as ideias que defende são parecidas com as nossas.

 

Chico Buarque defende o Governo. E daí?

O demagogo contumaz