O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Estamos precisando de um pouco de cor

O mundo está cinzento. Não só no Brasil. Aqui estamos sentindo de perto, mas o cinza tem se alastrado pelas Américas, Europa, Ásia; e permanecido diuturnamente na África. 

A Oceania parece manter sua cor e a Antártida seu branco natural. O que tem nos levado a este cinza? Deveríamos estar mais coloridos com todo este avanço tecnológico, que, ao que parece, seria o grande agente transformador, em termos positivos, de nossa época.

O homem não tem dado conta de acompanhar seus próprios avanços e, consequentemente, grande parte da humanidade está metendo os pés pelas mãos na tentativa de abocanhar o máximo possível daquilo que o satisfaz para garantir o próprio futuro e de seus pares próximos.

Parece tratar-se de uma crise de paradigmas, uma cisão, ou uma espécie de lapso, ou vácuo, que vem abrindo as portas para uma nova era de irracionalidade, já vivida em tempos passados.

A racionalidade científica, que parecia ter superado (também em termos positivos) a fé cega da religiosidade e o obscurantismo da metafísica, tem demonstrado ser mais um trampolim para o desfiladeiro, do que realmente uma fórmula de prosperidade e desenvolvimento humanísticos, nos termos Rousseaunianos. 

O que está errado na fórmula da humanidade, onde estamos errando a mão, por que não conseguimos avançar  (na roda da História) de forma salutar?

Nos falta clareza de nossa finitude, pequenez e insignificância? Nos falta humildade para constatar nossa perecibilidade? Que profundidade do abismo existencial teremos que atingir para entender que, apenas uma sociedade de homens que trabalhe de forma cooperativa pode tornar o mundo um lugar melhor para se (con) viver? 

Dias piores virão e, como sempre, seremos obrigados a lidar com eles; nos resta escolher qual será nossa forma de enfrentá-los: Com egoísmo ou solidariedade? Com individualismo ou generosidade? Com ganância ou benevolência? Com presunção ou grandeza? Com egocentrismo ou compaixão?

A escolha certamente está ao nosso alcance; ainda que nossas atitudes diárias pareçam não fazer nenhuma diferença neste triste mosaico, formado por tons cada vez mais acinzentados.

Ou mudamos a direção na qual vem girando a roda da História, ou seremos em breve, impiedosamente, atropelados por ela.

 

Rafael Tauil é sociólogo, mestre em Ciências Sociais, doutorando em Ciência Político e professor universitário.

Capitalismo 2

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