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Sérgio Guerra, o esqueleto no armário tucano

George Gianni/Site PSDB

George Gianni/Site PSDB

Não faz muito tempo, no post Aécio na berlinda, abordamos as recorrentes citações do nome do atual presidente do PSDB em delações que vem sendo homologadas na Operação Lava Jato. Levantamos também nossa desconfiança em relação a atuação muitas vezes discreta do senador mineiro e de seu partido na oposição ao governo Dilma. Ontem (quarta-feira), a TV Globo divulgou um vídeo que pode explicar um pouco melhor essa postura dos tucanos durante boa parte dos governos petistas.

O vídeo, que data de outubro de 2009, mostra o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, negociando com o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, o pagamento de propina em troca do esvaziamento da CPI da Petrobras. O conteúdo do filme não chega a ser surpresa, afinal a Folha de São Paulo já havia divulgado no início do mês o relatório da Polícia Federal que continha a transcrição dos diálogos ocorridos na reunião. Porém a divulgação das imagens do encontro tira qualquer tipo de dúvida em relação ao que ocorreu naquela ocasião. Sérgio Guerra atuou contra uma CPI, que já em 2009 poderia ter esclarecido um esquema que já havia desviado bilhões, e ainda viria a desviar muito mais, da maior companhia do país.

Seria leviano afirmar que Aécio Neves ou outros membros do PSDB participaram daquela aliança sórdida. Mas da mesma forma, é inocente imaginar que Sérgio Guerra estava atuando completamente sozinho naquela empreitada. Ele era nada menos que o presidente do maior partido de oposição do país. É razoável imaginar que existam outros membros do PSDB e de outras legendas da oposição envolvidos nessa manobra. Como já comentamos anteriormente, o próprio desempenho vacilante dos tucanos e de alguns aliados nos últimos anos reforça essa possibilidade.

O preço de uma prova com tanta materialidade como esse vídeo pode ser muito alto. Não para Sérgio Guerra, que faleceu em 2014 em decorrência de um câncer no pulmão, mas para o PSDB, que precisará responder de alguma forma por esse episódio. A sociedade deve exigir respostas, até porque está cada vez mais claro que apesar do PT ter sido o líder e maior beneficiário do Petrolão, o PSDB, como a maioria dos partidos brasileiros, também teve sua parcela na roubalheira. O tamanho dessa parcela? Só as investigações podem responder. Mas sendo pequena ou grande, ela precisa ser punida exemplarmente.

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