O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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E agora, República?

As notícias desses últimos dias abalaram um início de estabilidade política que parecia existir nos últimos meses. O governo, pela primeira vez desde 2014, não estava preocupado apenas em não cair e discutia algumas reformas cruciais para o país sair da crise. Entretanto, o áudio noticiado, e depois divulgado, da conversa entre Temer e Joesley gerou um furacão na conjuntura política.

É verdade que a primeira manchete divulgada pelo jornal O Globo, afirmando que o presidente havia dado aval para comprar o silêncio de Cunha, não foi comprovada. Não se faz referência a essa “compra” na gravação e não é possível inferir a partir do áudio que o presidente estava dando apoio a uma propina mensal ao deputado. Apesar de não ser uma confissão explícita de corrupção por parte do Temer, a conversa não republicana revela crimes de responsabilidade e motivos para uma renúncia ou um pedido de impeachment. Todavia, o mais provável é que Temer deixe a presidência via a cassação da chapa, pois ele não admitiria culpa e responsabilizaria a campanha ilícita do PT pela sua saída.

O povo, como sempre, sofre demais com essa nova etapa da crise política. O governo não tem receita suficiente para pagar seus gastos e isso inviabiliza a recuperação econômica. No cerne desse problema está a Previdência. Essa já consome a maior parte do orçamento atual e está em uma trajetória explosiva devido a rápida transição demográfica que o país enfrenta. As pessoas vivem cada vez mais, o que aumenta o gasto previdenciário. Mas têm cada vez menos filhos, e esses não serão suficientes para financiar essas aposentadorias no futuro. A prioridade para o país neste momento é avançar na discussão e aprovação da reforma da previdência (ficam os dedos), ainda que muitos dos políticos deste governo paguem pelos seus crimes (vão-se os anéis).

Uma eleição indireta neste momento teria o trunfo de eleger alguém apoiado pelo Congresso, condição necessária para a aprovação das reformas. Se o consenso convergir para alguém comprometido com as reformas, como o ministro da Fazenda Henrique Meireles, o país poderia superar essa instabilidade política sem se desviar do caminho para a solução da crise econômica. Estamos na maior recessão da história. Os nossos 15 milhões de desempregados têm pressa e não podem ser ainda mais penalizados pela corrupção e crise política.

A oposição à esquerda do governo Temer parece ignorar os problemas reais da população. Pouco discutem sobre como resolver essa crise econômica. E quando se manifestam, pedem uma reedição da fracassada política econômica do governo Dilma. Estão muito mais interessados em colher um capital político dessa crise, do que opinar sobre as soluções para a crise fiscal e a recessão brutal. Interditam a agenda do governo e postergam qualquer medida para atenuar as mazelas socioeconômicas. É a oposição pela oposição, cuja a única sugestão é que ela assuma o poder.

Ainda há os oportunistas que desejam, no meio desse caos, alterar a constituição para antecipar as eleições de 2018 para o final de 2017. Apesar de argumentarem que o congresso já não tem legitimidade, não se incomodam que o mesmo vote uma alteração constitucional. Para piorar a situação, a antecipação serve para viabilizar a candidatura de Lula. Soterrado de processos na Lava-Jato, o ex-presidente corre contra o tempo para se candidatar oficialmente antes de ficar inelegível pela lei da ficha limpa.

Aliados ao ex-presidente, Psol e outros movimentos políticos que se diziam oposição ao PT, agora fazem uma campanha pelas “Diretas Já”. Esses movimentos sabem que a candidatura de Lula, por ainda ter alto potencial de votos, inviabiliza qualquer outra candidatura à esquerda. Curioso que movimentos que se diziam contrários ao governo petista e sua corrupção, hoje engrossem o coro para que Lula seja o candidato hegemônico da esquerda. Muitos que gritam “Direta Já” hoje, na verdade estão gritando “Volta, Lula!”.

 

Ricardo Brito é economista, doutorando em Economia.

Acreditem, não chegamos ao fundo do poço!

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