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Recuo estratégico ou covardia?

Quem assistiu o noticiário na última semana, certamente acompanhou a polêmica que se formou em torno da fusão dos Ministérios da Cultura e da Educação. A medida, que fazia parte de um conjunto de ações com o objetivo de reduzir os gastos do Governo Federal, foi muito mal recebida pela classe artística e provocou reações em todo o país. Atos foram realizados com a presença de artistas consagrados, prédios públicos foram ocupados, ruas tomadas e o Presidente em exercício acabou recuando. Menos de duas semanas após anunciar a fusão, Michel Temer voltou atrás. Mas por que ele tomou essa decisão? Foi um ato de humildade ou de fraqueza? Ele acertou em ceder a pressão?

Primeiramente, vale lembrar o que havíamos colocado no artigo Diário Oficial publica dezenas de milhões de reais em subsídios para projetos culturais. O "rebaixamento" da Cultura de Ministério para Secretaria (ligada ao Ministério da Educação) não significaria obrigatoriamente que projetos na área seriam prejudicados, assim como não havia garantia de economia para os cofres públicos. Tudo dependia de como se dariam os termos dessa mudança. O status de Ministério ou Secretaria era o que menos importava.

Quanto ao desconforto dos artistas, já era de se esperar. As razões para isso são diversas: o "rebaixamento" da Cultura para uma Secretaria tem um impacto psicológico e naturalmente dá uma sensação de perda de importância; a estrutura de financiamento cultural no país é extremamente dependente do Estado, através das leis de incentivo fiscal, e qualquer alteração nessa dinâmica pode ter impacto na viabilidade de uma série de produções artísticas; e o mais importante de tudo, que parece ter passado despercebido pelo Presidente em exercício, é a própria ligação histórica da classe artística com o PT, partido da Presidente afastada Dilma Rousseff.

Michel Temer imaginou que seu recuo poderia ser interpretado como um gesto de humildade, um convite ao diálogo, mas ele esqueceu que os mesmos artistas que se manifestavam contra essa medida, são aqueles que estão alardeando aos quatro ventos que o impeachment não passa de um "golpe". Qualquer que fosse a atitude de Temer nessa questão, a reação da classe artística e daqueles que lutavam contra a extinção do Ministério da Cultura seria a mesma: a rejeição ao Presidente em exercício.

A decisão de voltar atrás se mostrou assim equivocada. Não tanto pela continuidade da Cultura como status de Ministério, que como dissemos antes é irrelevante, mas pelas consequências que isso trará para o próprio Temer. Se por um lado, ele aumentou a desconfiança daqueles que de alguma forma apoiam seu governo, mas que exigem que haja firmeza e um real compromisso com o ajuste fiscal; por outro lado, o que é ainda pior, seus opositores, cujo maior interesse é desestabilizar seu governo, viram abrir uma brecha, e a partir de agora, devem intensificar ainda mais a pressão sobre ele. O Presidente só saiu perdendo. Que isso sirva de aprendizado. Como repetimos quase diariamente, ele não tem margem de erro alguma. Se fraquejar, seu mandato será ainda mais curto que o segundo mandato da Presidente afastada.

 

Primeira prova de fogo de Michel Temer

Dilma e sua herança maldita