O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A mesquinha

Até Dilma Rousseff sabe que seus dias na Presidência da República estão contados. Embora o processo de impeachment ainda tenha que ser aprovado no Senado, a Presidente sabe que a chance de derruba-lo é bastante reduzida. Porém, mesmo diante de um cenário tão desfavorável, Dilma insiste na narrativa de "golpe". Hoje, em Nova York, mais uma vez, em duas entrevistas coletivas, uma para a imprensa estrangeira e outra para jornalistas brasileiros, a petista elevou o tom e repetiu o discurso das últimas semanas.

A visita de Dilma a Nova York foi cercada de expectativas, uma vez que foi decidida de última hora. A viagem que fazia parte da agenda da Presidente há meses, havia sido cancelada por conta da crise política, mas diante da acachapante derrota na votação de admissibilidade do impeachment no Congresso Nacional no último domingo, sua assessoria resolveu investir no discurso do "golpe", especialmente perante a imprensa internacional, ainda bem menos hostil a seu Governo. A expectativa era que Dilma utilizasse a tribuna da ONU durante a assinatura do Acordo de Paris, seu principal compromisso na cidade americana, para denunciar o "golpe". Entretanto, a Presidente surpreendeu positivamente e respeitou o tema do evento, abordando apenas superficialmente o assunto durante 40 segundos, sem em nenhum momento desenvolver a tese de "golpe".

A denúncia do "golpe" veio apenas mais tarde. Durante as coletivas para as imprensas nacional e estrangeira, mais uma vez Dilma afirmou que não cometeu crime e que por isso não há razão para um processo de impedimento. E dessa vez ela foi mais longe, afirmando que poderia acionar o Mercosul e a Unasul para que venham a suspender o Brasil, caso o "golpe" seja consumado. O Mercosul possui inclusive uma cláusula democrática que já foi utilizada contra o Paraguai após o impeachment do Presidente Fernando Lugo em 2012.

A verdade é que uma possível exclusão do Brasil do Mercosul não seria um negócio tão ruim assim. Sua criação foi importante, mas faz muito tempo que é um fracasso. Além de nunca ter efetivamente eliminado barreiras e implementado o livre-comércio na região, por causa dele ficamos fora da Parceria Transpacífico, bloco comercial extremamente mais promissor. Ainda assim, a atitude da Presidente é criminosa, uma vez que através desse discurso, ela está se posicionando contra os interesses do país.

Dilma é a Presidente da República, eleita por 54 milhões de brasileiros e tem todo o direito de defender seu mandato. O que é inadmissível é ela viajar para o exterior para denegrir o nome de nossas instituições e principalmente articular para que o país seja punido caso sua destituição seja confirmada. Quando age dessa forma, ela, única e exclusivamente, atende seus próprios interesses, agarra-se ao seu cargo, e ignora que toda e qualquer punição dessa natureza aumentará ainda mais o descrédito do país diante do mercado internacional, prejudicando essencialmente o cidadão brasileiro, que graças a incompetência do Governo, hoje já enfrenta a maior crise econômica de sua história republicana. Dilma que havia iniciado o dia como uma verdadeira estadista, elogiando a democracia brasileira na ONU, terminou o dia, como de costume, como uma política rasteira, covarde e mesquinha. O Brasil definitivamente merece algo melhor...

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