O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Protecionismo, Protecionismo, Protecionismo

As primeiras horas de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos reforçaram o que já havia sido deixado claro na campanha: a era do liberalismo econômico na terra do Tio Sam está com os dias contados. Tratados de livre comércio ainda em discussão encontram-se natimortos, enquanto aqueles já existentes, como o NAFTA, correm sério risco de serem desfigurados ou mesmo descartados. Todo o discurso do novo Presidente até o momento vai no sentido de que a recuperação manufatureira da América será o seu objetivo prioritário.

O problema é que não estamos mais em 1930.

Será praticamente impossível que produtos de consumo de massa como é o caso do iPhone sejam produzidos em solo americano com a mesma eficiência e custo-benefício encontrados na China. Considerando a diferença no custo de vida entre os dois países, evidentemente o salário de um operário de chão de fábrica nos EUA é muito superior ao do seu colega chinês. Se as imposições quase que autoritárias de Trump ao comércio exterior de fato se concretizarem, as consequências para o consumidor americano serão significativas. 

Levando em consideração sua fala nas escadas do Capitólio, onde bradou com o punho em riste "América primeiro", Trump não parece reconhecer a possibilidade de acordos comerciais que sejam benéficos para ambas as partes negociantes. Um exemplo claro disso é a empresa brasileira Embraer. Quase a totalidade dos aviônicos de jatos como o E-175 são adquiridos de empresas norte-americanas e apenas o planejamento e a montagem final é realizada em solo brasileiro. Pela política defendida por Trump, empresas estrangeiras que queiram ter acesso ao mercado de lá, teriam que montar fábricas nos EUA, o que seria insustentável e inviável economicamente para muitos desses empreendimentos. 

Por outro lado, o problema imigratório nos EUA seria amplificado se as fábricas que migraram para o México em função do NAFTA simplesmente deixarem o país latino. Não há muralha que impeça a fuga de um povo já sofrido, que se depara com uma situação ainda pior. 

Como esta estratégia protecionista e isolacionista de Trump não pode ser totalmente implantada sem a participação do Congresso e considerando, ainda, a divisão abissal entre segmentos da classe política e da própria sociedade dos EUA, dificilmente o novo Presidente terá condições de extinguir acordos ou implantar barreiras comerciais ao seu bel-prazer.

Resta saber se Trump respeitará os freios e contrapesos da democracia norte-americana, que incluem não apenas as instituições republicanas tradicionais, mas também a mídia. Esta última, vem sido ferozmente atacada desde a sua posse. 

Estamos precisando de um pouco de cor

Capitalismo