O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Falta ler Maquiavel

Em 1513 um pensador político italiano disse: “A política pode não nos levar aos céus, mas sua ausência é pior do que qualquer inferno”.

Nicolau Maquiavel (1469 - 1527) é tido como o pai da Ciência Política moderna. Seus escritos influenciaram todas as sociedades ocidentais desde que o autor florenciano se dispôs a escrever sobre política. Sua obra tem como umas das principais características descrever a política e a correlação de poder entre governantes e governados (inseridos já numa concepção do Estado moderno) de acordo com o que acontece concretamente. Ou seja, Maquiavel não estava preocupado com propostas de como o Estado e a Política deveriam funcionar no mundo ideal. Ele queria compreender como o Estado e a Política funcionavam de fato!

Este, talvez, tenha sido o maior legado de Maquiavel. Primeiro compreender o funcionamento real e concreto da Política para depois elocubrar proposições.

Apesar de toda sua influência, parece que faltou aos políticos brasileiros ler e/ou compreender os ensinamentos que até Napoleão[1] se utilizou.

Em determinado momento de O Príncipe, Maquiavel diz que o principado mais difícil de ser governado é o principado herdado, pois o povo não enxergaria a virtude do governante que o recebeu sem te-lo conquistado.

A presidente brasileira afastada pode ter inúmeras virtudes, mas ela não conquistou a presidência por virtude própria. Ela herdou o principado de Lula e a previsão maquiavélica se confirmou. Seu governo se tornou ingovernável em larga medida pela falta de empatia com a totalidade, ou pelo menos com a maioria, da população brasileira. Eu não consigo imaginar o Lula perdendo base eleitoral e popularidade como a Dilma perdeu.

Em outro trecho, Maquiavel diz que se um príncipe chegar ao poder com o apoio apenas dos poderosos e sem ter conquistado a simpatia do povo, a primeira coisa que este deve fazer é conquistá-la, pois um governo sem a simpatia popular não se sustenta e alem disto, os poderosos fazem alianças pontuais e debandam tão logo acharem conveniente. Já o povo é mais fiel. O episódio da debandada do PMDB e praticamente toda a base do governo Dilma, mais uma vez confirmou os ensinamentos maquiavélicos.

Para finalizar, me parece que o presidente em exercício também padece dos mesmos erros de Dilma. Michel Temer em nada se esforça para se aproximar e legitimar seu governo com seus governados.

Que ele não se engane. Se for necessário, os poderosos o deixarão na mão tão rápido quanto necessário e ele também não contará com a fidelidade da população.

Me parece que falta aos governantes brasileiros compreender a correlação de forças entre governantes e governados e assimilar que a legitimidade qualquer governo se sustenta com o amplo apoio da população. Sem isto, nada feito!

Me parece que falta ler Maquiavel.

[1] Napoleão Bonaparte utilizou-se enormemente dos ensinamentos contidos no livro clássico de Maquiavel - O Príncipe, escrito em 1513 - em suas conquistas. É fácil achar edições deste livro com os comentários napoleônicos. Vale a pena!

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