O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Tempos sombrios

A Operação Lava-Jato vem causando enorme comoção social em escala nacional, seja porque leva indivíduos até então vistos como inatingíveis para a cadeia, seja porque mexe diretamente com as distintas ideologias das pessoas. Não é difícil observar homens e mulheres vibrando a cada prisão efetuada, a cada condução coercitiva desnecessária, a cada condenação alcançada, a cada imagem televisiva exibindo empresários e políticos sendo “desmascarados” e tratados como coisas por agentes policiais, inclusive agentes que nem poderiam fazê-lo, como é o caso do célebre “Japonês da Federal”, que leva e traz presos estando ele próprio a cumprir pena e usando uma tornozeleira eletrônica.

A verdade é que a população se compraz com esse espetáculo midiático. Celebra a desgraça alheia, pouco importando se há famílias, amigos e colegas desses novos “inimigos do País” que estejam sofrendo impactos de toda ordem derivados da perseguição lavajatiana. O temo atual é de caça às bruxas, mas devemos compreender que mesmo as bruxas, para serem caçadas, têm prerrogativas legais que as amparam.

O que a Lava-Jato faz, através do juiz linha-dura que a comanda, é reiteradamente rasgar a Constituição Federal e o Código Penal em vigor no Brasil. Mas... alguém se importa?
Assistimos calados a um espetáculo patético em que supostos transgressores da lei passam a ser reificados e viram objetos dos quais podemos rir, zombar e tripudiar. Isto porque não somos nós mesmos ou nossos parentes que estão a enfrentar o processo penal brasileiro, com todas as suas mazelas e traços inquisitoriais, e nem as desumanas e cruéis prisões do País.

O povo comemora a prisão de um Eike Batista como se estivesse torcendo por seu clube de futebol, desprezando por completo o aspecto jurídico que a circunda. Pessoas postam nas redes sociais comentários odiosos em face da ex-primeira-dama que acaba de falecer, sem qualquer resquício de respeito ou mesmo humanidade para com o ex-Presidente Lula , sua família e amigos. Serão esses os mesmos que bateram panelas contra Dilma e que agora têm pela frente um Temer? Isso tudo é absurdo e não nos levará a lugar algum senão ao caos.

O pífio papel da grande mídia é igualmente repugnante. A morte de Dona Marisa está obviamente atrelada à crueldade com que aos meios de comunicação tratam Lula e toda a sua família, ou seja, como bandidos. Ainda que sequer haja qualquer condenação contra eles. Nada, senão temerários processos com fins políticos.

Que vergonha, Brasil!

O país das belezas naturais é o mesmo que horrorosamente comemora a morte alheia por um mero capricho ideológico. É onde as elites não suportam um governo esquerdizante e destituem uma mulher digna para dar espaço a um canalha traidor, que posa de bom moço e toma medidas contra o povo dia após dia. 

Em suma, onde temos Doria, Crivella, Temer, Pezão e cia., não há muito a fazer senão pensar numa robusta reforma política, ideológica e mesmo humana, já que como estamos não há meios de piorar. Sem falar de Donald Trump, esse xenófobo débil que envergonha o mundo com sua perversidade...

Tempos sombrios. Resistamos...

 

Mais uma vez: a política

Eike Batista e o capitalismo de araque