O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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O julgamento de Barrabás

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Alguns partidários de Lula insistem em afirmar que a Justiça não tem condições de julgar Lula por ser um político com significativa popularidade. Afirmam que Lula deveria ser julgado nas urnas, e não no tribunal. Esse absurdo ainda é propagado por políticos ditos de “oposição”, como os caciques do PSDB, incluindo Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de uma classe política que faz escárnio dos valores republicanos e reduz todas as questões importantes da nação a um mero embate eleitoral.

Em primeiro lugar, não cabe ao povo julgar os crimes dos políticos por alguns motivos. A população tem mais o que fazer do que escrutinar a vida de todos os políticos atrás de crimes de corrupção ou outros delitos. A democracia já delegou um trabalho gigantesco ao povo que é a avaliação dos governos e suas diversas políticas, que afetam infinitos aspectos da vida do cidadão. Exigir também o conhecimento da lei, da sua respectiva jurisprudência e de todos detalhes das inúmeras suspeitas envolvendo os políticos brasileiros é uma utopia. Essa posição só pode ser tomada por pessoas que desejam a injustiça, pois sabem que defedem um julgamento extremamente falho. Até mesmo um júri popular é selecionado criteriosamente e recebe informações detalhadas do processo para julgar ciente de todos os detalhes do caso. Eleitores não são um júri e nunca devem ser.

Além de ser um processo falho, querem misturar propaganda eleitoral e código penal, um absurdo. O julgamento deve ser isento de viés político, interesses privados e popularidade eleitoral. A maior penalidade que um político “condenado pelas urnas” é não se reeleger. É essa a punição máxima que merece um político corrupto? Sejamos claros, o “julgamento das urnas” é a certeza da impunidade.

É comum escutar que a corrupção só vai terminar quando a população parar de votar nos corruptos. Trata-se de outra visão distorcida dos instrumentos democráticos. Cabe a polícia, o Ministerio Público e a Justiça investigar e julgar os crimes desses políticos, para que a população nem tenha a opção de votar nesses criminosos. Um país cristão tem o dever moral de não repetir em um novo contexto o julgamento de Jesus Cristo e Barrabás. Quando a justiça é substituída pelo clamor popular, nem Jesus está salvo.

 

Ricardo Brito é economista, doutorando em Economia

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