O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência

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Não há a menor dúvida de que o Brasil precisa de uma reforma trabalhista e da previdência.

Mas, também, não há a menor dúvida de que não são estas as reformas trabalhistas e da previdência que o Brasil precisa.

O primeiro ponto que gostaria de discutir é a questão da nossa soberania para escolher os rumos do nosso país (e que cai justamente na causa maior do descrédito que a população tem com a política).

Para que propostas como estas tenham legitimidade com a sociedade civil é estritamente necessário que se faça um debate com a população, ou, no mínimo, se apresente tais propostas durante as campanhas eleitorais.

Não estou entrando na questão se o governo de Michel Temer é ou não é um governo legítimo. O problema é que a chapa a qual ele fez parte Dilma/Temer não apresentou estas propostas durante a campanha eleitoral e agora quer nos atolar goela abaixo reformas que nós mal conhecemos.

Será que se elas tivessem sido propostas, a chapa Dilma/Temer teria sido eleita?

Então esse é um ponto que, por si só, já coloca as reformas em desabono. Nós não fomos informados que o governo faria tais propostas e não pudemos avaliar se queríamos ou não tais reformas.

Outro ponto importante a abordar sobre estas reformas é a sua urgente necessidade para manter a questão fiscal em equilíbrio e não quebrar o país.

O Ministro da Fazenda, Henrique Meireles, afirmou que estas reformas não se tratam de questões políticas ou de interesses particulares, mas, sim, de uma mera questão matemática.

Esta afirmação é uma das maiores desonestidades que eu já ouvi.

Como eu afirmei acima, é óbvio que reformas são necessárias, mas eu só aceito discutir estas reformas se viessem num combo um debate sobre como reestruturar a dívida pública brasileira mais uma reforma tributária.

Se fizéssemos o debate sobre a reestruturação da dívida pública brasileira e sobre a reforma tributária, com certeza teríamos fôlego para debater reformas trabalhistas e previdenciária não tão danosas aos mais pobres da nossa população.

Acontece que a reestruturação da dívida pública (importante salientar que eu não defendo calote e nem a moratória) e a reforma tributária mexem com a classe dirigente do país (políticos e empresários).

Pensem comigo no tanto de brasileiros e brasileiras milionários e milionárias que mantem volumes monstruosos de dinheiro em paraísos fiscais só para não pagar impostos.

Pensem comigo que o Brasil até hoje (22/11/2017) já tem uma média de R$509 Bilhóes de impostos sonegados POR TODOS NÒS.

Pensem comigo que o Brasil e a Estônia são os únicos países no mundo que não cobram imposto sobre lucros e dividendos dos 0,05% mais ricos do país.

Pensem comigo que o Hospital São Cristóvão (hospital que eu me consultava em São Paulo) já anunciou para seus funcionários que não pagará mais pelo descanso semanal remunerado para médicos e enfermeiros de plantão e nem hora extra em dobro quando do trabalho em domingos e feriados.

Pensem comigo que a rede de fast food já está oferecendo empregos para balconistas com salários de R$4,45 por hora trabalhada sem garantia de salário mínimo (geralmente estes cargos são para jornadas de 6 horas, se um balconista fizer a jornada completa, ele receberá R$26,70. Um combo do Big Bob’s custa R$29,90, ou seja, ele trabalha 6 horas e não receberá valor suficiente para comer o tal combo).

Pensem comigo que várias lojas do comércio estão oferecendo trabalho sem nenhum tipo de vínculo remunerando o trabalhador apenas com a comissão de suas vendas, que gira em torno de 3 a 4% do valor total vendido, ou seja, se um vendedor vender R$1.000,00 numa loja de sapatos, por exemplo, ele recebe R$30,00 (quase que também não dá para comer no Bob’s).

As reformas trabalhistas e previdenciária não alterarão a estrutura problemática que abarca o país.

Elas, mais uma vez, maqueiam o problema e projetam para um futuro mais tenebroso para a parte mais carente da população.

O sentido da palavra “revolução” vem do latim “revolver”, uma expressão que era usada entre os camponeses que queriam arejar a terra, trazendo a terra fértil que estava em baixo para a parte da terra já consumida em seus nutrientes na parte de cima.

Ou seja, trazer os de baixo par cima e levar os de cima para baixo.

É isto que o Brasil precisa.

Precisamos revolver nossa terra. Mexer com os interesses de cima e trazer à tona os interesses de quem está embaixo.

De resto, estas reformas que estão propondo, são todas simples perfumarias.

Carta ao Tom 2017

Incertezas políticas no Velho Mundo