O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Dilma Rousseff, o maior erro de Lula

Beto Barata/AE

Beto Barata/AE

Volta e meia me pego pensando o que passou na cabeça do ex-Presidente Lula para escolher Dilma Rousseff como sua herdeira política. Não que eu nutra alguma simpatia por sua figura ou admire de alguma forma sua conduta. Acho que, embora seu governo não tenha sido ruim de uma maneira geral, as práticas por ele consagradas tiveram consequências gravíssimas para o país. Ainda assim, é inegável que o ex-Presidente saiu com uma popularidade elevadíssima, e por isso com a capacidade de eleger quem ele quisesse como seu substituto. Ele escolheu Dilma e hoje certamente se arrepende profundamente dessa decisão.

Segundo o Ibope, Lula saiu do governo com uma aprovação de 80%, taxa inédita na história brasileira. Para se ter uma idéia, de acordo com o Datafolha, o Presidente Fernando Henrique Cardoso, antecessor do petista deixou o Palácio do Planalto com 26% de aprovação, menos de 1/3 do índice do petista. É um capital político formidável e que deixava o PT em condição extremamente confortável para a corrida presidencial de 2010. O PT tinha nomes fortes, de políticos que ao menos eram experientes e habilidosos, caso do então governador da Bahia, Jaques Wagner, ou do ex-Prefeito de Porto Alegre e ministro em diversas pastas do Governo Lula, Tarso Genro. Entretanto, Lula bancou a candidatura de Dilma Rousseff, que embora tivesse sido ministra durante quase todo o seu governo (Minas e Energia, e posteriormente Casa Civil), era uma figura política inexpressiva e sem carisma. Mas por que Lula fez tanta questão de eleger Dilma como sua sucessora? Por que ele preteriu as velhas "raposas" do partido?

A verdade é que Lula só saiu em 2010 porque não poderia se candidatar novamente, uma vez que já havia sido reeleito quatro anos antes. Ele não desejava sair, não considerava que sua história na Presidência estava encerrada. Dessa forma, ele pretendia voltar, sendo candidato novamente em 2014. Nada mais natural então que eleger alguém que ele julgasse não colocar em risco suas pretenções. Dilma parecia perfeita para isso. Sua carreira política era medíocre, sua capacidade se comunicar com as massas sofrível e sua habilidade política pior ainda. Ninguém poderia ser mais incapaz que ela. Sua própria sobrevivência política dependia única e exclusivamente de Lula. Ela nunca seria ninguém sem seu criador e Lula confiava nisso. O que o ex-Presidente não imaginava é que Dilma tivesse suas próprias idéias e pretenções políticas.

Lula foi vítima de sua própria prepotência. Seu ego não permitiu enxergar o risco de colocar alguém tão incompetente e ao mesmo tempo tão cheia de convicções como Dilma. Ela não foi a marionete que Lula esperava e a medida que foi se afastando dele, foi colocando o próprio projeto de poder do PT sob risco. Sua inabilidade de dialogar com o Congresso Federal e com sua base política, sua incapacidade de conter os avanços da Operação Lava Jato e seus equívocos no campo econômico minaram seu governo e foram determinantes para essa derrocada do partido.

Tivesse Lula escolhido um nome de mais peso para sua sucessão, hoje poderíamos viver uma situação diferente. Seu poder no partido poderia estar reduzido, mas seu "legado" talvez estivesse mais preservado. De qualquer maneira, há males que vem para melhor. A absoluta incompetência de Dilma evidenciou o nefasto projeto de poder do PT, que hoje se vê ameaçado graças a isso. Ela levou o país a uma crise sem precedentes, porém, mesmo que de maneira involuntária, ela propiciou uma oportunidade de um novo começo para o país. De uma maneira curiosa, temos que agradecer a Lula por sua arrogância e Dilma por sua inépcia. Obrigado e por favor, não voltem nunca mais.

Falta ler Maquiavel

O contexto civilizatório brasileiro - Ensaio 2