O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

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Dilma e sua herança maldita

O que já vinha sendo dito há algumas semanas, ontem se confirmou. Os Ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Romero Jucá anunciaram, em entrevista coletiva, nova previsão para o déficit das contas públicas em 2016. Segundo os novos cálculos, as despesas do governo devem superar as receitas em até R$ 170,5 bilhões. Será o maior rombo da história.

Após o déficit recorde de R$ 114,98 bilhões em 2015, a meta para 2016, prevista no Orçamento Federal, aprovado pelo Congresso, era de um superávit de R$ 24 bilhões. Esse número porém, jamais teve qualquer conexão com a realidade, e mostrou mais uma vez, o descompromisso do governo Dilma na elaboração de metas minimamente confiáveis. Para se ter uma idéia, já em fevereiro deste ano, apenas um mês após a então Presidente sancionar o texto do Orçamento, sua equipe econômica já havia revisto a previsão e pretendia estabelecer uma nova meta, então com déficit de R$ 60,2 bilhões. Tal avaliação durou pouco mais de um mês e no final do mês de março, veio uma nova reavaliação e previsão passou a ser de um déficit na casa de R$ 96,65 bilhões. E o pior é que pelo que vemos agora, ainda assim, tais número não refletiam a verdadeira situação das contas públicas do país.

Não se trata de novidade alguma, o fato que o governo Dilma sonegou sistematicamente informações sobre o estado da economia brasileira. Pelo menos, desde 2013, haviam claros sinais de desaceleração da atividade econômica no país. A forte pressão inflacionária, exigia uma resposta do governo através de uma política fiscal mais austera. Mas havia uma campanha eleitoral pela frente e medidas de austeridade fiscal costumam não ser muito populares. Ao invés disso, o então governo preferiu continuar a aumentar gastos, se financiando através de empréstimos ilegais obtidos através de bancos públicos, prática que ficou conhecida como "pedaladas fiscais". Para controlar a crescente taxa de inflação, represou preços de tarifas públicas, sacrificando ainda mais as já combalidas empresas públicas como a Petrobras e a Eletrobras. Venceu as eleições, praticamente quebrou o país, e ainda assim seguiu omitindo da população a real situação econômica.

A missão de Michel Temer é demasiadamente ingrata. Dilma Rousseff aparelhou o Estado, arrasou as contas públicas e deixou nossa economia em frangalhos. Os remédios necessários serão extremamente amargos. Não há outra opção. Severos cortes de gastos públicos são o primeiro passo; privatização de empresas, que não sejam essenciais para o Estado, é recomendável; aumento de impostos, embora sejam deveras indesejados, talvez sejam necessários; e principalmente, o mais importante de todos: a Reforma da Previdência precisa sair do papel. Sem ela, o país se tornará absolutamente inviável em um curto espaço de tempo. Mas esse assunto merece um artigo próprio. Em breve, entraremos mais a fundo nele.

 

Recuo estratégico ou covardia?

O primeiro gol contra do Governo Temer