O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

O Lulismo Enrustido

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Em minha curta carreira como redator do Café Politik, poucos textos me tomaram tanto tempo e exigiram tamanha reflexão como esse que agora inicio.

Não que esse presente artigo seja embasado em uma complexa análise numérica ou que tenha demandado uma profunda pesquisa teórica. Muito pelo contrário, esse é um texto baseado única e exclusivamente na percepção do autor e em sua observação dos fatos.

Na verdade, meu desafio aqui foi evitar o lugar comum e assim sendo não promover meros esteriótipos que venham a induzir o leitor a conclusões infundadas e preconceituosas.

Dito isso, antes de iniciar minha argumentação, já faço uma ressalva importante: Não, eu não acho que todos aqueles que se posicionam a esquerda no espectro político sejam comunistas, petistas, lulistas ou qualquer “ista” do tipo. Rótulos desse tipo são simplistas, medíocres e na maioria das vezes mentirosos. O debate de ideias é muito mais complexo e infinitamente mais interessante que isso.

Ainda assim, não posso me furtar de pontuar um curioso padrão de comportamento que ainda me surpreende: o domínio e o fascínio que a figura do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua exercendo sobre as mais diferentes correntes de esquerda do país.

Mesmo diante dos inúmeros indícios de atuação ilícita de Lula apontados pela Operação Lava Jato, parece existir uma espécie de cegueira coletiva, uma boa vontade extremamente seletiva, que faz com que até mesmo alguns “ex-companheiros” dissidentes do PT, adotem um discurso extremamente cuidadoso quando se fala sobre o ex-Presidente. Um comportamento aparentemente inconsciente que, embora seja veementemente refutado, demonstra, ainda que de maneira velada, que o vínculo entre criador e criaturas preserva algum tipo de unidade.

Mas o que explica essa postura de aparente contradição? Como até mesmo pessoas que se afastaram do PT e de Lula por discordarem de suas ideias e práticas, ainda hoje mantém tal comportamento?

Não creio que caiba aqui qualquer juízo de valor para justificar tamanha condescendência. Seria leviano afirmar que se trata de alguma forma de cumplicidade entre as partes. Sendo extremamente franco, não vejo qualquer razão para acreditar nisso.

Vejo na verdade que a resposta para tal mistério é muito mais simples que possa parecer: gostando dele ou não, para o bem ou para o mal, Lula é a figura política mais relevante da história brasileira recente e portanto o maior símbolo de esquerda que o país já produziu.

Retirante nordestino, semi-letrado, líder do movimento operário, perseguido pelo governo militar, primeiro presidente declaradamente de esquerda da história do país e dono de um magnetismo capaz de conquistar multidões, Lula é a personificação perfeita do ícone político idealizado por intelectuais de esquerda em todo o mundo. Algo quase místico, que vai além dos fatos em si e é carregado de um simbolismo tão grande que se torna maior que o próprio movimento que representa, maior que o próprio partido que fundou e maior até mesmo que a esquerda como corrente de pensamento no país.

O que verificamos é uma espécie de culto a imagem de Lula que ultrapassa a racionalidade, que o eleva a um estado, ainda que inconscientemente, de semi-santidade. Uma estranha relação que lhe concede uma perigosa autonomia de atos e que faz com que pessoas esclarecidas e bem intencionadas adotem critérios diferenciados quando se avalia qualquer tipo de atitude do ex-Presidente.

Esse é o lulismo enrustido que ataca a Operação Lava Jato sempre que as investigações se voltam para Lula, mas que se esconde atras dos mais diversos subterfúgios para não admiti-lo. É o lulismo enrustido que desqualifica “ex-companheiros” delatores e glorifica aqueles que mantém fiéis a “causa” É o lulismo enrustido que na hora H seguirá votando em Lula e que possivelmente o elegerá novamente Presidente, mesmo diante da qualquer depoimento, indício ou prova, por mais irrefutáveis que sejam.

Milagre Econômico de Trump?

A fariNADA de João Dória