O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Quadrilha

Michel Temer gostava de Fernando Henrique, que já havia gostado de Lula, que não gostava de ninguém.

Lula se tornou presidente, virou amigo de Michel Temer e formou uma grande família, com espaço para toda a turma do PMDB, para seus antigos rivais José Sarney e Fernando Collor, para Marcelo Crivella e o pessoal da Universal, e para Roberto Jefferson e toda a turma que ficou famosa durante o Mensalão.

O caldo entornou, Jefferson explanou algumas maracutaias e parte da família do Lula rachou. Chico Alencar, Heloísa Helena, Luciana Genro, Marcelo Freixo e sua gente pulou fora do PT e criou sua própria família, o PSOL. Insatisfeitos com seu antigo partido, prometeram ser a partir de então oposição ao seu criador.

Isso não diminuiu a força do Lula. Seu namoro com a turma do PMDB virou casamento, e Temer virou parceiro de Dilma, a filha de Lula. O amor rendeu frutos. Lula elegeu Dilma presidente, o PMDB ganhou vários ministérios e criou seu próprio feudo no Rio de Janeiro.

Elegeu Sérgio Cabral duas vezes e posteriormente, seu parceiro de velha data, Pezão para o governo do estado. Quem também se deu bem, foi menino maluquinho Eduardo Paes. Saiu do PSDB, onde era ferrenho opositor do PT, para se juntar ao PMDB e ser eleito prefeito por duas vezes. Sempre com o apoio do PT e seus partidos satélite, em especial o PCdoB da sempre fiel Jandira Feghali.

Mas como em qualquer história, o amor acabou. Dilma não era uma boa chefe de família. Fez muita bobagem e aquilo tudo que Lula havia criado, se esfacelou. Temer voltou a sair com a pessoal do Fernando Henrique e levou consigo a rapaziada do PMDB. A turma da Universal também pulou fora e nem mesmo o poderoso chefão Lula, conseguiu salvar sua filha e seu império. Seu mundo ruiu e toda a ordem política brasileira se embaralhou mais uma vez.

Hoje, no Rio de Janeiro, as alianças do segundo turno do pleito municipal refletem bem essa esquizofrênica relação. Todos são rivais do PMDB. Marcelo Crivella, ex-ministro de Lula, recebe apoio do PSDB de Fernando Henrique e de Anthony Garotinho, figura que ainda não havia sido citada, mas que já havia sido aliado de Lula, já teve seus dias no PMDB e no passado já havia sido rival declarado do próprio Crivella. Já o PSOL, do candidato Marcelo Freixo, se reaproximou do PT, partido que um dia jurou ter diferenças irreconciliáveis, se opôs veementemente ao afastamento da Presidente Dilma, e agora recebe apoio irrestrito do partido de Lula e Dilma.

Complicado, né?

Obs: O título "Quadrilha", embora se aplique perfeitamente ao texto, é uma referência direta a um dos poemas mais famosos de Carlos Drummond de Andrade, que serviu de inspiração para essa obra.

Otimismo cauteloso

Problema X Crise