O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O indefensável Jair Bolsonaro

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Quando parece que o Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) não tem mais como nos surpreender, ele mostra que não há limites para sua estupidez. No último domingo, durante a votação sobre a admissibilidade do impeachment da Presidente Dilma Rousseff,  o deputado, notório defensor da Ditadura Militar, mais uma ver chocou o Brasil ao proferir uma homenagem ao General Carlos Alberto Brilhante Ulstra. Para quem não conhece sua biografia, Ustra foi chefe do DOI-CODI do II Exército entre 1970 e 1974, e ficou conhecido por submeter presos políticos, entre eles a Presidente Dilma, na época integrante do grupo guerrilheiro VAR-Palmares, a terríveis sessões de tortura.

Capitão reformado do Exército Brasileiro, Jair Bolsonaro iniciou a carreira política como vereador na Cidade do Rio de Janeiro em 1989. Se apresentando como representante dos militares e propondo uma polêmica plataforma, que incluía a adoção de pena de morte, já em 1991 chegou ao Congresso Nacional para iniciar o primeiro de 7 mandatos consecutivos, sendo no último deles, iniciado em 2014, como o mais votado no Estado do Rio de Janeiro, com mais de 450 mil votos.

Mesmo contrariando o partido (na época era filiado ao PPB que fazia parte da base do governo), Bolsonaro já fazia oposição ao Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), mas foi durante os Governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-) que ganhou projeção nacional. Ferrenho crítico do Partido dos Trabalhadores, o ex-capitão do exército tirou proveito da atuação modesta do PSDB, principal partido de oposição e conquistou um considerável capital político. Em recentes pesquisas, Bolsonaro aparece com cerca de 10% das intenções de voto para a próxima eleição presidencial, que será realizada em 2018. Entretanto, nem mesmo o maior crítico do Governo Dilma, que seja de fato um democrata, pode apoiar essa virtual candidatura.

Jair Bolsonaro representa ideias nada republicanas, que na verdade vão de encontro às liberdades individuais e de expressão. Sua retórica é retrograda, e não representa nem direita nem esquerda, e sim o atraso e a intolerância. Sua apologia a tortura foi apenas mais um capítulo em seu currículo repleto de manifestações de desrespeito aos direitos humanos, tendo já se envolvido em polêmicas em matérias como a causa indígena, o movimento feminista e especialmente os grupos de defesa dos direitos LGBT. Em diversas entrevistas, já declarou que o Regime Militar foi o período “mais glorioso” da história brasileira e em 2008, durante uma discussão com manifestantes em frente ao Clube Militar, no Rio de Janeiro, declarou que o “maior erro (da ditadura) foi ter torturado e não matado”.

Definitivamente, Bolsonaro não é uma opção aceitável, nem mesmo diante do desastrado Governo Dilma. Não é possível admitir ideias tão antidemocráticas e tamanho desprezo aos direitos individuais e a liberdade de pensamento. Na verdade, se opor a Bolsonaro não significa, de forma alguma, chancelar o Governo Dilma ou os ideais de esquerda que ela possa representar. Se opor a Bolsonaro é meramente defender a democracia.

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