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Datafolha: Boas e más notícias para Temer, Lula e para o Brasil

O Datafolha divulgou neste último final de semana algumas importantes pesquisas envolvendo intenções de voto para as eleições presidenciais de 2018, aprovação do governo interino de Michel Temer e confiança dos brasileiros no futuro econômico e político do país.

38% dos entrevistados acreditam na melhora da economia e metade quer a permanência de Temer no Palácio do Planalto. A volta de Dilma Rousseff é defendida por pouco mais de 30% dos cidadãos e apenas 3% parecem apoiar plebiscitos ou novas eleições, estratégias que vinham sendo defendidas por parte dos apoiadores de Dilma e apontadas como fundamentais para o impeachment ser revertido no Senado.

O panorama apresentado pelo Datafolha e as eleições recentes ocorridas na Câmara dos Deputados consolidam uma situação bastante confortável para Michel Temer e tornam muito difícil o retorno de Dilma Rousseff à presidência pelas vias ordinárias do processo de impedimento. Uma eventual medida no STF após a votação no Senado seria, neste momento, a melhor chance de a petista voltar ao Palácio do Planalto.

A leitura que faço dos gestos e das palavras de Dilma é de que ela já tem ciência desta situação. A melhora gradual da economia e a falta de apoio popular demonstrado pelas pesquisas e na ausência de manifestações anti-impeachment significativas já evidenciam a improbabilidade de que a presidente afastada tenha o apoio necessário no âmbito do Senado Federal. O que Dilma tem tentado fazer é reconquistar o capital político perdido durante sua gestão e reforçar sua biografia como sendo pessoa de “enfretamento” e “luta”.

O Datafolha também divulgou pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2018.

Rejeitado por quase metade dos entrevistados, Lula aparece na frente em um primeiro turno, mas perderia em todos os cenários de segundo turno. Marina Silva, Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro são os candidatos mais competitivos no levantamento apresentado.

Independente da análise aqui realizada, a liderança em um eventual primeiro turno em 2018 é sem dúvidas uma boa notícia para o ex-presidente.

Polarizações à parte, acredito que a história lembrará do ex-presidente como um hábil político que aproveitou um cenário econômico amplamente favorável para implantar projetos sociais importantes, mas que deixou de realizar qualquer tipo de reforma significativa que trouxesse sustentabilidade ao crescimento do país ocorrido durante sua gestão. Lula também será lembrado por seu maior erro, a indicação de Dilma Rousseff como sua sucessora.

A liderança do petista no primeiro turno é consequência, além do reconhecimento de seu nome, de um saudosismo com uma época que não volta mais. A bonança ocasionada pela alta dos preços das commodities acabou. A China não cresce mais a taxas de 10 ou 15% por ano. O endividamento dos brasileiros na casa dos 60% demonstra que uma política de crescimento calcada unicamente no consumo e no crédito não teria mais tanto fôlego.

Em suas entrevistas recentes, o ex-presidente tem pregado as mesmas fórmulas utilizadas com algum sucesso em seu governo, mas que já não encontram sustentáculo em uma realidade bastante desafiadora e totalmente diferente do que era na primeira década do século XXI.

É por um bom motivo que não é usual em democracias maduras que ex-presidentes retornem ao poder. O tempo de Lula passou. Assim como o de Alckmin, Aécio e Serra.

Penso que a pesquisa revela um dos principais problemas do cenário político brasileiro atualmente: a ausência de novas lideranças que possam reorientar o eixo de desenvolvimento do país, tornando o Brasil efetivamente competitivo através de reformas profundas em nosso sistema educacional, previdenciário, trabalhista e tributário. Precisamos de novos líderes que apresentem novas propostas e soluções para os desafios de nosso tempo. Ter uma pesquisa presidencial encabeçada por ex-presidentes, multi-delatados, defensores de ditaduras e figuras políticas ultrapassadas e inefetivas é realmente preocupante.

 

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