O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O Rio de Janeiro continua lindo?

Quem tem lido os jornais nos últimos dias, tem acompanhado o drama que o estado do Rio de Janeiro passa. Sem dinheiro, o governo tem deixado de pagar fornecedores, tem atrasado salários de seus servidores e importantes obras de infra-estrutura, muitas delas fundamentais para a realização dos Jogos Olímpicos, estão sob risco de atraso. Diante desse quadro, o governador em exercício Francisco Dornelles decretou, na última sexta-feira, "Estado de Calamidade Pública no âmbito da administração financeira".

A medida tem como principal objetivo garantir a realização dos Jogos Olímpicos, que se iniciam em 5 de agosto na capital do estado. De acordo com o texto do decreto, "medidas excepcionais" podem ser tomadas, uma vez que "os eventos possuem importância e repercussão mundial, onde qualquer desestabilização institucional implicará um risco à imagem do país de dificílima recuperação". Dessa forma, é esperada a racionalização de serviços públicos e ainda mais atrasos nos pagamentos de fornecedores e servidores.

É fato que a mudança na lei de distribuição de royalties do petróleo e a queda de arrecadação de ICMS, provocada pela crise nesse mesmo setor, tiveram papel crucial no desequilíbrio das contas do estado. Entretanto essa vulnerabilidade é resultado da falta de preocupação do governo em diversificar a economia do estado, hoje extremamente dependente da indústria do petróleo. Confiou-se que os anos de alta no preço do óleo no mercado internacional se estenderiam ainda mais. O governo assim aumentou excessivamente seus gastos, causando um inchaço na máquina pública, insustentável no cenário de crise. Resultado da falta total de planejamento.

Mas como pode haver falta de planejamento? Desde que Anthony Garotinho foi eleito em 1998, o governador sempre tem feito seu sucessor. Em 2002, foi a vez de sua mulher, Rosinha Garotinho assumir o cargo. Em 2006, apoiado pelo casal Garotinho, Sérgio Cabral Filho foi eleito, repetindo a dose em 2010 ao ser reeleito e em 2014, ao fazer seu vice, Luiz Fernando Pezão, o novo governador do estado. Se há falta de planejamento, isso se dá por má fé, ou na na melhor das hipóteses por muita incompetência.

É lamentável que o Rio de Janeiro, prestes a receber o maior evento esportivo do mundo, viva uma crise de tamanha gravidade. O estado está a beira da bancarrota e seu futuro é absolutamente incerto. A medida do governador em exercício é extrema, porém necessária. O impacto para o estado em caso de um fracasso nos Jogos Olímpicos seria incalculável e causaria um aprofundamento ainda maior da crise. Porém, precisamos começar a pensar no dia seguinte. É fundamental cortar fortemente os gastos, replanejar a economia do estado, renegociar a dívida com a União e principalmente se livrar dessa turma que há quase duas décadas comanda o estado de maneira desastrosa. Infelizmente, precisamos praticamente começar do zero. Antes tarde do que nunca...

O contexto civilizatório brasileiro - Ensaio 2

Ignorância histórica