O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O primeiro gol contra do Governo Temer

Andre_Moura

Há exatamente uma semana, avaliávamos no texto O Ministério de Temer e a primeira polêmica do novo governo a nova composição ministerial brasileira após o afastamento da Presidente Dilma Rousseff. Exaltamos principalmente a escolha da equipe econômica e colocamos nossa preocupação com designações estritamente políticas e principalmente de suspeitos de envolvimento nos escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato. Afirmamos que em função da profunda crise política e econômica, e especialmente devido a desconfiança de parte da sociedade, Michel Temer não tinha espaço para errar. Pois bem, ontem seu governo cometeu um erro, que pode até não ser fatal, mas mina ainda mais a sua já baixa popularidade.

Com seu gabinete praticamente composto, o Presidente em exercício, Michel Temer, ainda precisava definir sua liderança no Congresso Nacional. Tudo indicava que Rodrigo Maia (DEM-RJ), seria indicado para ser o líder do Governo da Câmara dos Deputados. Segundo o Líder do DEM, o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), Rodrigo já havia sido inclusive convidado pelo Governo. Porém, para surpresa de todos, André Moura (PSC-SE) foi anunciado para a função, provocando insatisfação do bloco composto por partidos como o DEM, PSDB, PPS e PSB.

O descontentamento dos partidos que até uma semana atrás compunham a oposição é uma preocupação a mais para Michel Temer, que sabe que precisa do apoio dessas legendas para manter a governabilidade. Entretanto, dor de cabeça maior ainda é explicar para a imprensa e para a sociedade brasileira, a escolha do deputado sergipano para a exercer a liderança do Governo. Aliado do Presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Moura faz parte do chamado Centrão, que representa o que há de mais fisiológico na política brasileira, e para completar é investigado em uma série de crimes que vão desde corrupção a tentativa de homicídio.

André Moura, que antes de ser deputado federal, foi prefeito de Pirambu entre 1997 e 2004, secretário de Integração de Serviços Públicos Metropolitanos de Sergipe entre 2005 e 2006 e deputado estadual de 2007 a 2010, tem um currículo para lá de preocupante. Em apenas 20 anos de vida pública, acumula três ações penais nas quais é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por apropriação, desvio ou utilização de bens públicos no município de Pirambu; é investigado em mais três processos, referentes ao período que era primeiro-secretário da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa de Sergipe, entre os quais a já citada tentativa de homicídio; e para completar, é investigado pela Operação Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro em operações envolvendo o Grupo Schahin.

É natural que Temer precise fazer composições com os grupos que apoiaram o processo de impeachment, mas é inaceitável que ele se torne refém dos mesmos. As manifestações que levaram milhões de brasileiros às ruas nos últimos anos, deixaram claro que a sociedade brasileira está cada vez menos tolerante com a corrupção e com a política toma lá, dá cá. A nomeação de um político com o currículo de André Moura à função de Líder do Governo na Câmara é uma péssima sinalização de Temer nesse sentido. Que ele reveja urgentemente essa posição, caso contrário, muito em breve poderá estar fazendo companhia a Dilma Rousseff, em algum lugar bem longe do Palácio do Planalto.

 

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