O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

A Embraer e o modelo a ser seguido

Recentemente, foi publicada matéria no jornal alemão Die Welt questionando se a aeronave de transporte militar KC-390 produzida pela Embraer não seria superior ao modelo A400 da concorrente europeia Airbus. Fundada em 1969 como empresa de economia mista vinculada ao Ministério da Aeronáutica, a fabricante brasileira estava a beira da falência em meados dos anos 90, quando foi então privatizada.

Hoje, como a matéria deixa claro, a Embraer é uma multinacional de sucesso, com faturamento na casa de R$ 15 bilhões e empregando 20 mil pessoas, sendo uma das únicas exportadoras brasileiras de produtos com alto valor agregado.

Será que este sucesso seria possível caso a empresa ainda continuasse a ser administrada pelo Estado o que, em um contexto brasileiro, significa basicamente pouca preocupação com eficiência e politização extrema de cargos e diretorias?

Difícil imaginar, ainda mais quando constatamos que o mercado internacional é dominado por empresas altamente competitivas.

A realidade é que grande parte das privatizações dos anos 90 ainda são vistas como crime de "lesa-pátria" por parte dos analistas políticos brasileiros, especialmente a da Companhia Vale do Rio Doce.

Me reporto a artigo anterior: Quando foi privatizada em 1997, a então Companhia Vale do Rio Doce empregava cerca de treze mil pessoas e tinha um lucro de cerca de quinhentos milhões de dólares. Atualmente, o total de empregados subiu para quarenta e um mil e o lucro recente da empresa atingiu o montante de doze bilhões de dólares.

No mais, em que pese a maior parte do capital da Vale ser negociado em bolsa, a empresa continua a pagar tributos e royalties sobre exploração dos recursos naturais ao Governo. Desta maneira, na minha concepção, temos o melhor dos dois mundos. O país recebe recursos através de impostos, brasileiros continuam a ser empregados e a empresa para de ser utilizada como “cabide de empregos” e ferramenta de negociação política, como tem ocorrido com a Petrobrás.

A conclusão de então ainda permanece atual: o país não pode ficar refém do discurso propagado pelo PT, principalmente durante o Governo Lula, de que qualquer tipo de desestatização é necessariamente danosa aos interesses nacionais. Até mesmo Dilma Rousseff adotou posicionamento contrário à esquerda mais combativa, concedendo ao capital privado diversos empreendimentos de infraestrutura. O momento pede pragmatismo para que busquemos as melhores alternativas para que o país saia do atoleiro. Concessões e privatizações devem fazer parte deste leque de opções

O mito da apropriação cultural e a intolerância

Espírito Santo: a desmilitarização da polícia é boa para quem?