O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A agonia venezuelana

Enquanto o novo governo brasileiro, sob o comando de Michel Temer busca alternativas para tirar o país da profunda crise econômica e política que se encontra, um vizinho nosso vive um cenário ainda mais dramático. Na última segunda-feira, dia 16, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou "Estado de Exceção e Emergência Econômica" pelos próximos 60 dias. A medida, que dá ao Presidente poderes excepcionais, é só mais um capítulo da agonia do povo venezuelano, diante do caos provocado por mais de 16 anos de chavismo.

Para justificar a medida, o Presidente Maduro argumenta que o país está sob risco de um golpe orquestrado por potências estrangeiras, mas essa manobra nada mais é que uma maneira de calar a oposição, que hoje é maioria no Congresso Nacional. Aproveitando-se da baixíssima popularidade de Maduro, rejeitado por 68% da população, segundo dados da pesquisa Venebarômetro, a oposição vinha tentando articular um referendo popular que poderia abreviar o mandato do Presidente. Com a implantação do Estado de Exceção, Maduro barra essa iniciativa, aumenta seus poderes e segundo analistas, esse pode ter dado o primeiro passo para dissolver o Congresso.

Enquanto isso, os venezuelanos enfrentam uma inflação galopante, uma forte contração da atividade econômica, que em 2015 caiu 5,7%, e uma terrível crise de desabastecimento. As prateleiras dos supermercados estão constantemente vazias e produtos de necessidade básica são vendidos a valores exorbitantes no mercado negro. Saques aos estabelecimentos comerciais se tornaram praxe no dia a dia, e Caracas se tornou a cidade mais violenta do mundo, com uma assombrosa taxa de 119,87 assassinatos a cada 100 mil habitantes, segundo dados da ONG mexicana Conselho Cidadão pela Seguridade Social e Justiça Penal. Para se ter uma idéia, é o dobro do índice medido em Fortaleza, capital brasileira mais violenta, segundo o mesmo estudo.

Isso tudo é resultado da desastrosa política econômica implementada desde o governo de Hugo Chavez (1999-2013). Donos da maior reserva de petróleo do mundo, os venezuelanos apostaram em um modelo altamente dependente da exportação de óleo. Outros setores produtivos foram colocados no segundo plano, e segundo a Confederação Venezuelana das Indústrias, mais de 8 mil empresas fecharam as portas nos últimos 20 anos. O governo porém, para aumentar a renda das famílias, promoveu uma série de subsídios e uma sensível ampliação de crédito. No curto prazo, os resultados até foram positivos, mas não tardou para que surgisse uma forte pressão inflacionária. Para contê-la, o governo recorreu ao controle de preços e detonou ainda mais a já pífio setor produtivo venezuelano e quem ainda não havia fechado as portas, fechou. Para completar, o preço internacional do barril de petróleo sofreu baixas históricas nos últimos meses. O país quebrou.

A situação é dramática. A economia do país segue derretendo e o Presidente planeja um golpe contra o Congresso Nacional. A Suprema Corte parece totalmente controlada pelo Governo e as Forças Armadas ainda se mantém dispostas a defender Maduro. Manifestações, cada vez mais numerosas, são registradas diariamente contra o governo e reprimidas com violência. Todos os elementos para a implantação de uma ditadura estão aí. Que a comunidade internacional se manifeste e não permita mais essa covardia. Chegou a hora de acabar com o chavismo, antes que ele acabe de vez o com a Venezuela.

 

 

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