O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Espetáculo lamentável

Passadas mais de 24 horas da votação no Congresso Nacional que decidiu pelo prosseguimento do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, a vida do brasileiro vai aos poucos voltando ao normal. Embora o afastamento da Presidente ainda necessite de confirmação no Senado, faz-se necessário olhar para frente e iniciar a construção de uma saída para a crise econômica e política, seja ela qual for. Confirmando-se ou não o afastamento de Dilma, precisamos reinventar a maneira pela qual fazemos política no Brasil.

Embora o debate político tenha se aprofundado nos últimos anos, especialmente impulsionado pelo advento das redes sociais, nós pouco acompanhamos o trabalho da Câmara de Deputados e do Senado Federal. Muitas vezes temos até dificuldade de lembrar em quem votamos nas últimas eleições. Assim sendo, a atenção que foi dada nesse domingo a sessão do impeachment foi algo inédito para muitos de nós. E seja qual fosse o lado que estávamos apoiando, a impressão que tivemos em relação a nossos deputados foi a pior possível.

Parlamentares despreparados, incapazes de concatenar um pensamento e sem aparentar sequer ter entendimento mínimo da acusação que estava sendo oferecida contra a Presidente. A maioria parecia mais preocupada em fazer homenagens aos familiares, a sua base eleitoral e a Deus do que com a importância do próprio voto que estavam a dar. Discursos sem pé nem cabeça, opiniões fora de hora, menções descabidas, gritaria, ofensas e tudo de pior aconteceu. Um espetáculo patético que teve como seu ápice a repugnante defesa do Regime Militar feita pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ)  e seu filho Flávio (PSC-SP). Para finalizar Jean Wyllys (PSOL-RJ) deu uma cusparada na direção de Bolsonaro, respondendo uma provocação de seu antigo desafeto e deixando o telespectador em dúvida se estava assistindo mesmo uma sessão parlamentar ou uma briga de moleques no pátio da escola.

Foi um choque de realidade para quem não está acostumado com o dia-a-dia do Congresso Nacional. É necessário que participemos mais da vida política do país, que sejamos mais diligentes em relação ao nosso voto e principalmente que estejamos sempre vigilantes em relação ao trabalho de nossos representantes. Precisamos assumir nossas responsabilidades e deixar de colocar a culpa de tudo de ruim que acontece em nossos governantes e parlamentares. Se eles estão lá é única e exclusivamente porque NÓS os colocamos...

O indefensável Jair Bolsonaro

Quem votou em Dilma, votou em Temer