O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

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Os próximos desafios para superar a crise

Como já se esperava, na noite de ontem, a Câmara dos Deputados autorizou o prosseguimento do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Foram 367 votos a favor, 25 a mais que o necessário e agora segue para o Senado Federal que tem 10 dias para confirmar a decisão da Câmara e instaurar o processo na casa. Serão necessários 41 votos, ou seja maioria simples para que seja confirmado o afastamento de Dilma Rousseff até a votação decisiva no Senado, que ocorrerá então em até 180 dias, sendo necessários 2/3 dos votos para afastar a Presidente em definitivo.

Nunca escondi meu desejo pelo afastamento da Presidente Dilma. Acho seu governo um verdadeiro desastre. Sua política econômica é responsável direta pela crise que enfrentamos, sua política externa baseada em fatores puramente ideológicos é uma afronta aos direitos humanos e aos interesses do país, e seu aparelhamento do Estado é um crime que gerações futuras ainda pagarão o preço. Tendo sido Presidente do Conselho da Petrobras durante mais de 7 anos e Presidente da República nos últimos 5, sua responsabilidade no escândalo de corrupção na companhia é objetiva. Além disso, temos as tão famosas "pedaladas fiscais", que dentro desse contexto parecem ser insignificantes, mas não são. É evidente que Dilma foi derrotada hoje na Câmara por causa do "conjunto da obra" e as "pedaladas" foram uma maneira técnica dos deputados "se livrarem" dela, mas sua prática é criminosa e suas graves consequências contribuíram para que a crise econômica tomasse rumos ainda mais dramáticos. Seu impeachment é legítimo e principalmente, necessário.

Dito tudo isso, o sentimento não é de alegria. Muito pelo contrário. Vivenciar o impeachment de uma Presidente eleita democraticamente há menos de dois anos atrás em um processo conduzido por Eduardo Cunha e diante de um Congresso desmoralizado não pode ser motivo de satisfação. Mas não havia outra solução senão apoiar o impedimento, por mais traumático que ele possa ser. Dilma não possui as condições necessárias para levar o país a superar a crise e por isso, seu afastamento é fundamental. Ela perdeu completamente a credibilidade diante da população, dos agentes econômicos e perante o Parlamento. Se ela sobreviver a esse processo e o impeachment não se confirmar, a tendência é que a depressão econômica se aprofunde ainda mais.

Hoje podemos dizer que o primeiro passo para a superação da crise foi dado, mas ele ainda é muito pequeno diante do desafio que temos pela frente. Além de confirmar o impedimento da Presidente, é necessário que as investigações da Operação Lava Jato não cessem e que sejam levadas as últimas consequências. Precisamos que o novo governo, seja ele com Michel Temer ou eleito através de um novo pleito, implemente uma agenda responsável e comprometida com o desenvolvimento econômico e social, que enxugue a máquina estatal, que estimule o setor produtivo e que realize as reformas necessárias que estão emperradas há décadas. Isso tudo em paralelo a um complexo e doloroso processo de reunificação de um país que foi dividido de maneira irresponsável desde as eleições presidenciais de 2014.

Enfim, o caminho é longo e o desafio é dos mais complexos, mas não podemos ficar olhando para trás. É necessário que tenhamos serenidade, pragmatismo, responsabilidade e principalmente muita coragem para enfrentá-los. Que construamos um novo Brasil livre da cultura da impunidade, mais politizado e onde o populismo assistencialista da classe política seja substituído por estímulos a ciência e tecnologia, ao livre mercado e ao empreendedorismo. O Brasil tem jeito, mas precisa mudar muito. E é para já...

Quem votou em Dilma, votou em Temer

A lógica ideológica por trás da idéia de "golpe"