O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Educação religiosa nas escolas públicas, um atentado aos princípios fundamentais do Estado laico

IMG_7979.jpg

Na última semana, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou a nova base nacional comum curricular, que a partir do próximo ano norteará o ensino escolar no Brasil. Uma revisão natural, que acontece de tempos em tempos, mas que dessa vez teve um ponto em particular que chamou bastante atenção: a nova abordagem do ensino religioso.

Diferente do que foi noticiado, o ensino da religião não passa a ser obrigatório, mas de acordo com a nova diretriz, ele passa a ter peso de Área de Conhecimento. Isso significa na prática, que embora o estudo da disciplina seja facultativo, ela será avaliada da mesma maneira que matérias como matemática, português e geografia. Assim sendo, até mesmo a aprovação ao final do ano letivo, daqueles que optarem por cursar o ensino religioso, está condicionada ao desempenho na disciplina.

A primeira vista, pode parecer que não há nada de errado com isso. Afinal, pais que não possuem religião ou que julguem que seu ensino não é importante, seguem com autonomia para determinar que seus filhos não participem das aulas de religião. Isso entretanto não diminui em nada a incoerência da decisão do CNE.

O Estado brasileiro é laico. É o que determina nossa Constituição, e dessa forma, entende-se que qualquer tipo de envolvimento com a educação religiosa, sendo opcional ou não, não é atribuição do poder público. Assumir um papel desses pressupõe que todas as crianças têm a mesma religião ou que a escola irá oferecer cursos para toda e qualquer religião, o que nesse caso, implicaria que eventualmente uma mesma classe fosse divida no horário voltado ao ensino religioso entre católicos, evangélicos, espíritas, judeus, muçulmanos, umbandistas, budistas ou qualquer outra religião que existisse naquela determinada turma. Algo impraticável, caro e sem sentido algum.

A vida religiosa é algo estritamente pessoal, e por isso, deve ser tratada exclusivamente na esfera privada. Não deve constar nem mesmo como atividade extra-curricular nas escolas públicas. Qualquer abordagem diferente disso é equivocada e uma violência ao princípio de laicidade do Estado

Pais devem ser livres para decidir se querem que seus filhos tenham uma educação religiosa ou não, e isso deve ser respeitado. Templos, igrejas, comunidades, escolas privadas ou qualquer entidade não pública tem todo o direito de promover sua crença e educar as crianças como julgar melhor, desde que dentro da lei.

E quanto ao Estado? Para esse, o único papel é garantir esse direito. Nem um centímetro a mais ou a menos...

Trump declara aberta uma nova corrida espacial

O desafio dos liberais no Brasil