O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Capitalismo


Toda forma de organização social da história da humanidade teve começo, meio e fim. Desde os tempos mais remotos, a sociedade vai superando suas contradições e novas formas de sociabilização vão surgindo. Isso não é novidade.

O interessante é que as pessoas que estão vivendo em certa época histórica, e em uma determinada forma de sociabilização, acabam naturalizando sua organização social. Grande parte das pessoas não entende que as sociedades constroem historicamente suas formas sociais. Em espaços de tempo, mais ou menos curto, estas formas de sociabilização mudam, se superam e se aperfeiçoam.

Foi assim com as primeiras formas tribais/comunais, foi assim no antigo regime escravocrata (muito antes da escravidão que conhecemos), foi assim com o feudalismo (que perdurou por quase 900 anos), foi assim com o mercantilismo e vai ser assim com o capitalismo.

O capitalismo é uma superação das contradições feudais. Um antigo regime com alto poder religioso, com territórios fragmentados com muitas dificuldades para interação entre as sociedades.

Quando esta sociedade estava com suas potencialidades esgotadas, começou a surgir uma nova forma de organização social que reivindicava novas formas de poder, organizações estatais mais bem definidas e maior integração entre as sociedades. Eis que surge o mercantilismo e, posteriormente, o capitalismo.

Perceber este movimento histórico de superação das contradições foi, em minha opinião, o maior legado que um barbudo alemão nos deixou e que não vou citar o nome por não querer ser chamado/”xingado” de comunista por alguns leitores deste site.

Desta forma, nós podemos, E DEVEMOS, tentar compreender quais são as contradições da forma de sociabilização em que vivemos. Só assim nós vamos melhorar nossa forma de viver.

Um dos maiores intelectuais brasileiros e reconhecido internacionalmente, professor Gabriel Cohn, do alto dos seus 78 anos, disse em uma conferência algo muito interessante: “o capitalismo é uma promessa que não se realiza".

Este professor nem de longe pode ser chamado de comunista, mas o que ele quer nos dizer é que o capitalismo tem em sua raíz alguns elementos que se mostram inférteis e que serão eles próprios que darão base para sua superação.

Trata-se de um sistema que prima pela disputa para o alcance do bem coletivo, mas esconde em sua gênese que toda disputa resulta em um vencedor e em um perdedor e, que por isto, é um sistema extremamente concentrador de poder e riqueza.

Nesta semana divulgou-se que apenas 8 pessoas no mundo possuem riqueza igual ao de 3,6 bilhões de pessoas. Imaginem só, estas 8 pessoas cabem numa pequenina sala qualquer.

Há o argumento que estas pessoas empregam milhões de pessoas e que criaram coisas maravilhosas para a humanidade. Em certo ponto, eu até concordo, mas a pergunta que devemos fazer é: a que custas?

Nunca na história da humanidade tão poucas pessoas concentraram tanto poder. Nem no antigo Egito, nem no império romano ou em qualquer outro período histórico 8 míseras pessoas possuíam tanta riqueza/poder que se igualavam a 3,6 bilhões de pessoas (e estou falando em termos proporcionais mesmo).

Aonde vamos chegar? Em 50 anos todo esse poder será de apenas uma pessoa que terá poder para decidir quem terá ou não emprego em todo o mundo?

Eu acho muito saudável que nos questionemos sobre isso e acho quase doentio quem não vê problema nesta matemática.

Qual será a próxima forma de sociabilização? Eu não sei!

Mas eu sei que o capitalismo, assim como todas as outras formas de sociabilização, também tem começo, meio e fim.

E espero que o que virá pela frente (e sei que não vou viver para ver) seja algo mais justo, democrático e igualitário.

PS: vi um meme muito engraçado ontem que dizia assim: “O capitalismo diz que você não pode dar o peixe, mas sim ensinar a pescar. Parece que em 350 anos apenas 8 pessoas aprenderam a pescar” 

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