O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

A República e a política brasileira

Ao término dos jogos olímpicos, o Brasil voltar-se-á[1] inteiramente para as disputas das eleições municipais e, mais uma vez, a política estará na boca do povo.

No entanto, é importante termos em mente que, para além das disputas municipais, algumas ações do governo federal podem modificar a vida das brasileiras e brasileiros de forma muito mais radical.

Michel Temer, tendo ou não legitimidade para ocupar a cadeira que ocupa, e isto não nos importa aqui, não está deixando pedra sobre pedra no plano de governo para o qual foi eleito.

Ontem, ao assistir uma palestra de José “Pepe” Mujica, na UNESP de Franca, o ex-presidente uruguaio disse algo interessante:

“A república só se realiza se tiver como orientação um governo para a maior parte da população, e o papel da política é estimular o crescimento econômico a fim de efetivar o bem estar de toda população e não consentir que este crescimento econômico possibilite apenas a acumulação de riquezas particulares como temos visto atualmente”.

O ex-presidente uruguaio está correto, mas nem a república e nem a política brasileira dispõem desse caráter democrático e, portanto, estão longe de se realizar.

Logo após a Proclamação da República, em 1889, Rui Barbosa foi destacado para produzir um estudo sobre as finanças que o novo sistema político brasileiro herdava do império. Para prestar conta desse estudo que realizou, o primeiro ministro da fazenda da república brasileira fez um discurso no senado federal. Em um determinado momento, disse ele:

“Em vez de organizar solidamente o crédito agrícola, proporcionando nele a indústria do solo e os meios naturais de sua reconstituição, a monarquia, incuravelmente corruptora, preferiu constituir um mecanismo passageiro, de fins notoriamente eleitorais, destinados a estimular os apetites da indigência, explorando a situação aflitiva da classe empobrecida”.

A fala de Rui Barbosa, em 19 de dezembro de 1889, corrobora com o que o Pepe Mujica nos apresentou ontem.

O Brasil tem historicamente uma cultura política que deixa a grande massa da população em segundo plano. Vale ressaltar que apenas em março de 1963, o Brasil promulgou um Estatuto do Trabalhador Rural garantindo a estes e estas - que ainda hoje formam a grande massa trabalhadora do país - alguma proteção legal. Importante lembrar, também, que apenas em 2013 as empregadas domésticas conseguiram ter acesso ao FGTS e, assim, garantir isonomia de seus direitos trabalhistas com relação a outros trabalhadores e trabalhadoras.

Vejam como algumas conquistas que atendem a uma enorme parcela da nossa população são extremamente recentes. 

Tudo isto serve para mostrar que a república brasileira não exerce costumeiramente uma de suas principais funções - a de priorizar todas suas ações em benefício da maioria da população - como disse Pepe Mujica e como nos mostrou, há mais de um século atrás, o Rui Barbosa.

Retirar e/ou flexibilizar direitos trabalhistas, em um país com a estrutura social como a do Brasil, é negar o que a República e a Política possuem de mais essencial.

Os que fazem política no Brasil ainda carecem do espírito verdadeiramente republicano.

Precisamos ter isso em mente na hora de escolher nossos candidatos daqui pra frente.

 

[1] Agora o Brasil vai para frente. Notem que, sob influência do novo presidente letrado, os comuns estão conjugando os verbos de forma mais culta e erudita.

As manifestações políticas nas Olimpíadas RJ 2016

A necessidade de pragmatismo