O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Ignorância histórica

Recentemente, após ler uma ótima matéria sobre Ernesto "Che" Guevara e seu pouco apreço pela democracia e pela vida de seus opositores, resolvi dar uma olhada nos comentários dos leitores. Como imaginava, eles pareciam divididos, embora houvesse mais comentários críticos a "Che" que positivos. Uma pessoa porém me chamou atenção. Ela defendia com tanto vigor e tão apaixonadamente o guerrilheiro argentino, que fiquei curioso e resolvi dar uma olhada em seu perfil no Facebook.

Não foi surpresa alguma verificar que em sua foto de perfil na rede social, havia a inscrição "Não reconheço governo golpista". Como colocamos recentemente no texto A lógica ideológica por trás da idéia de "golpe", n° 2, há uma questão ideológica forte que orienta aqueles que não aceitam o impeachment da Presidente Dilma Rousseff. O que me surpreendeu, foi ver que em seu perfil estavam diversas fotografias e ilustrações que remontavam a antiga União Soviética. E para piorar, havia uma série de publicações exaltando Josef Stalin.

É absolutamente chocante que ainda hoje exista espaço para esse tipo de coisa. Stalin foi um dos ditadores mais tiranos e sanguinários da história. Não há números oficiais, mas os historiadores concordam que durante seus mais de 30 anos de governo, pelo menos 20 milhões de pessoas foram mortas por seu regime. Estima-se que ao menos 1 milhão de pessoas foram executadas por questões políticas e quase 10 milhões foram enviadas a Gulags, espécie de campos de concentração que ficavam na Sibéria. Mais da metade das pessoas enviadas para lá, nunca retornou. Além disso, durante a implementação forçada da coletivização dos campos, no início da década de 30, nada menos que 15 milhões de pessoas morreram de fome, especialmente na Ucrânia. Isso tudo em nome da tal revolução.

Celebrar Stalin e seu regime na União Soviética é tão grave quanto louvar o nazismo alemão de Adolf Hitler. Prefiro acreditar que quem o faz, faz por completa ignorância histórica, e não por efetivamente apoiar genocidas. Não há justificativa aceitável para se apoiar qualquer tipo de ditadura, sejam ela de direita ou de esquerda. Compactuar com autoritarismo e com a supressão das liberdades individuais é algo que atenta contra o próprio caráter daqueles que as defendem. Não dá para aceitar...

O Rio de Janeiro continua lindo?

Vai sobrar alguém?