O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A pena de morte e os massacres nos presídios

Nesse início de ano, o Brasil tem assistido com perplexidade as chacinas promovidas por grupos rivais em presídios do Norte e Nordeste do país. Em uma série de ações marcadas pela audácia e por um requinte de crueldade assustador, mais de 100 detentos foram assassinados em Manaus, Boa Vista e Natal.

Diante desse cenário catastrófico, as reações tem sido veementes nos mais diversos setores da sociedade. A busca por respostas para o completo descontrole do sistema prisional brasileiro, entretanto tem sido ofuscada por manifestações descabidas de apoio aos massacres.

Não pretendo aqui ser hipócrita de afirmar que me sensibilizei intensamente com aqueles que perderam a vida. A maior parte dos presidiários que ali estavam são assassinos, estupradores e sequestradores. Gente com currículo tenebroso, cuja capacidade de ressocialização é duvidosa, especialmente se considerarmos que as condições precárias, que tornam nossos presídios em verdadeiras escolas do crime, onde quem entra geralmente consegue sair ainda pior do que entrou.

Ainda assim, não podemos confundir o conceito de pena de morte com justiçamento. Nossa legislação não prevê a pena capital e, pelo menos por enquanto, não há perspectivas de mudanças nesse sentido. Justa ou não, essa é a lei e por isso não há nada que justifique o descumprimento dela. Qualquer interpretação diferente disso é se colocar ao lado do próprio crime, da anarquia e da barbárie.

Os acontecimentos recentes estão muito longe de representar qualquer tipo de conceito de "justiça". Muito pelo contrário, são na verdade reflexo da falência do sistema prisional e da negligência estatal no combate à criminalidade. A decisão de quem vive ou morre, não só nas prisões, mas também nas ruas pelo país, hoje é dos bandidos, que comandam suas células criminosas mesmo de dentro de suas próprias celas. Uma situação surreal que expõe o completo colapso do poder público.

É necessária a completa reformulação do sistema prisional do país, associada a criação de um verdadeira política nacional de segurança pública, algo que jamais existiu no Brasil. Precisamos endurecer penas, desarticular organizações criminosas, retomar o controle dos presídios e comunidades, e combater a impunidade. Mas tão fundamental quanto isso é mudar o conceito de prisão no país. Algo que não passa por necessariamente dar mais liberdade aos detentos, mas sim em criar condições para a reintegração a sociedade e reduzir o índice de incidência. E isso não é questão apenas de direitos humanos, mas de sobrevivência do nosso próprio modelo de sociedade.

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