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O oportunismo por trás do julgamento de William Waack

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Na última semana, nenhum assunto foi mais comentado nas redes sociais que o caso de racismo envolvendo o jornalista William Waack. Um episódio que embora tenha ocorrido há um ano atrás, repercutiu somente agora e ofuscou tópicos importantes, como até mesmo a entrada em vigor das novas regras que regem as relações trabalhistas no país.

O polêmico vídeo que criou toda essa comoção é claro e inquestionável. Contra fatos não há argumentos, e, portanto, não há como negar que Waack fez um comentário extremamente preconceituoso. Impossível relativizar o fato ou minimizar a gravidade de suas palavras. Mas ainda assim, isso é suficiente para afirmar que o apresentador do Jornal da Globo é racista?

É necessário ter cuidado na hora de se fazer um julgamento dessa natureza. Não se pode medir as idéias, a índole e o caráter de um indivíduo, baseando-se apenas em um fato, que, até que seja provado o contrário, é isolado. Em cerca de 40 anos de carreira, essa é a primeira vez que o nome de Waack aparece ligado a um episódio como esses.

Além disso, é fundamental não se deixar contaminar por um certo oportunismo, de viés estritamente político. Nos últimos anos, como é sabido, William Waack, através de seu estilo de jornalismo franco, direto e ácido, se mostrou um ferrenho crítico da política praticada pelos governos Lula e Dilma, e por isso colecionou desafetos nas mais diversas camadas da sociedade.

Desmerecer Waack, defini-lo como um ser humano abominável, preconceituoso e racista, acaba assim se tornando uma estratégia vil para desqualificar o trabalho do jornalista e dessa maneira atender a agenda daqueles que por ele eram criticados.

Tendo dito isso, ainda assim, não se pode dizer que a punição aplicada ao jornalista pela Rede Globo, afastando-o provisoriamente de suas funções, seja injusta. Muito pelo contrário, é uma mensagem importante que a emissora dá a seus colaboradores, reforçando que comportamentos preconceituosos não serão aceitos sob quaisquer circunstâncias.

O recado está dado e qualquer decisão tomada pela direção da Globo, seja a reintegração de Waack, seja seu afastamento em definitivo, é legítima, desde que seja livre desse viés oportunista, afinal o país deve ser implacável diante de atitudes racistas, assim como perante a desonestidade intelectual tão difundida diariamente através das redes sociais.

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