O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A necessidade de pragmatismo

O Brasil vive sem dúvidas um dos mais difíceis momentos de sua história. Crise econômica, dificuldades políticas e instabilidade social. Em pouco mais de uma semana será votado pelo Senado Federal a última fase do impeachment de Dilma Rousseff e, até o presente momento, tudo indica que a petista será definitivamente afastada da presidência do Brasil.

A tese de que estaria em curso um golpe de Estado parece perder força. Na última semana, até mesmo Fernando Haddad, candidato à reeleição como prefeito de São Paulo pelo PT, apontou que a expressão seria muito dura para descrever o momento vivido atualmente no país. 

Na minha concepção, golpe não deixa margens para interpretação. 

O que temos em curso no país é um processo basilado nos ditames da Constituição Federal, onde a conclusão pela ocorrência ou não de um crime de responsabilidade cometido por Dilma Rousseff é, juridicamente, questionável. Tal dúvida, entretanto, é inerente a qualquer processo judicial. O direito, ao contrário da matemática, não é uma ciência exata. 

Podemos todos opinar sobre a ocorrência ou não de crime de responsabilidade, mas o único órgão responsável pela decisão se houve ou não tal delito é o Congresso Nacional. Depois de um longo processo, supervisionado pelo Supremo Tribunal Federal e com plena observância ao direito de defesa, o Senado Federal confirmará ou não o entendimento já sacramentado pela Câmara dos Deputados.

Medidas na ONU ou na OEA são inócuas, mas Dilma poderá, ainda, acionar o STF posteriormente caso esteja decepcionada com o resultado. Querer comparar a situação vivida hoje com 1964 é um exagero que a maior parte da população não parece corroborar.

Pois bem, no decorrer do processo de impeachment e por força constitucional, ascendeu ao Palácio do Planalto o então Vice-Presidente, eleito com os mesmos 54 milhões de votos da então mandatária. 

Michel Temer tem feito até então um governo errático tomando, por um lado, medidas importantes para a reativação da economia, mas também demonstrando não ter capacidade de suportar pressões por ampliação de gastos em um momento totalmente impertinente. O maior exemplo disso foi o aumento concedido do Poder Judiciário que, em que pese ter sido negociado durante a gestão Rousseff, terá repercussões catastróficas no orçamento federal e poderia ter sido, no mínimo, adiado.

De qualquer modo, Temer tem se demonstrado muito mais hábil do que sua antiga parceira de chapa na condução política e no relacionamento com o Senado e a Câmara. 

Conforme noticiado por sites aliados ao PT, apenas nos três meses que está no poder, o chefe do PMDB recebeu mais congressistas em seu gabinete do que Dilma em quase seis anos. A atuação de Temer junto ao parlamento demonstra que seu governo não ficará paralisado e poderá defender a aprovação de projetos e reformas com relativa facilidade. 

Em que pese todas as dificuldades conjunturais envolvendo sua gestão, é preciso ter em mente que Temer cumprirá um mandato tampão, de menos de dois anos. Antecipar eleições mediante um plebiscito, demandando não apenas gastos na casa das centenas de milhões de reais, mas também, pelo menos, seis meses para organização do sufrágio, me parece totalmente desnecessário. Em 2018, com a economia esperançosamente recuperada, será possível então que o país, de cabeça um pouco mais fria, decida por um novo Presidente.

O que o Brasil precisa no momento é de alguma estabilidade política para reencontrar o caminho do crescimento. O retorno de Dilma Rousseff, a pior presidente democraticamente eleita de nossa história, tiraria o país do caminho de sua lenta, mas gradual recuperação econômica. Não votei em Michel Temer e ele não é nem de longe o presidente dos meus sonhos. O pragmatismo, entretanto, me faz optar não por apoiá-lo, mas meramente por suportá-lo. 

A República e a política brasileira

O sonho dourado de Rafaela