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A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Vai sobrar alguém?

Gustavo Miranda/Agência O Globo

Gustavo Miranda/Agência O Globo

A medida que a Operação Lava Jato avança, novas delações vem sendo divulgadas e o que todo mundo já sabia vem sendo confirmado: o escândalo do Petrolão tem proporção pluripartidária e ao que tudo indica, deve implodir o sistema político brasileiro como um todo. Hoje a pergunta que se faz não é quem estava envolvido no esquema, mas sim quem não estava envolvido, se é que sobrará alguém sem nenhuma mancha ao final dessas investigações.

Ontem (quarta-feira), foram divulgados os nomes dos políticos citados no depoimento do ex-Presidente da Transpetro, Sérgio Machado. São mais de 20 políticos, de 6 partidos diferentes, tanto daquelas legendas que faziam parte da base parlamentar da Presidente afastada, Dilma Rousseff, quanto da oposição. Sobrou até para o Presidente em exercício, Michel Temer, que segundo Machado, teria pedido R$ 1,5 milhões para o ex-Secretário de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, em sua campanha a Prefeitura da cidade em 2012.

Além disso, de acordo com o jornal O Globo, de 12 de junho, Léo Pinheiro, ex-Presidente da OAS, está disposto a denunciar em seu acordo de delação premiada, ainda em fase de negociação, o pagamento de doação eleitoral para ex-Senadora Marina Silva, através de caixa dois. Segundo o jornal, o pagamento teria sido feito durante a campanha de Marina a Presidência da República em 2010 e negociado diretamente com Guilherme Leal, dono da Natura e vice da ex-Senadora naquele pleito.

Dessa maneira, todos os principais lideres políticos do país parecem enrascados: tanto a Presidente afastada, Dilma Rousseff, quanto o Presidente em exercício, Michel Temer; os ex-Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso; o Senador Aécio Neves, segundo colocado na última eleição presidencial, que teve o nome citado em mais uma delação; Marina Silva, terceira colocada nas últimas duas eleições presidenciais; o Presidente do Senado, Renan Calheiros, e o Presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que são citados em praticamente todas as delações; além de uma série de governadores, prefeitos, deputados e senadores.

Evidentemente que tais denúncias precisam ser comprovadas. Muitas delas carecem de provas, ou então essas provas ainda não foram apresentadas a sociedade. De qualquer forma, fica evidente o fracasso do modelo de financiamento dos partidos políticos no país. O crime está institucionalizado e atinge praticamente todos os grupos políticos do país. É necessário que se faça uma profunda revisão desse modelo, e isso só será possível através de uma ampla reforma política. E essa reforma nos leva direto para um tema que anda em voga nos últimos tempos: financiamento privado ou público de campanhas? Mas isso é tema para um próximo artigo.

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