O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Privatizações

Ao longo da última década, posteriormente aos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, a expressão “privatização” passou a ser encarada por parte dos cidadãos e da classe política dominante necessariamente como algo negativo para o país. Se tornou natural associar o vocábulo “privatizar” com entreguismo, traição e lesa-pátria. Se olharmos o histórico dos programas de desestatização das últimas duas décadas, entretanto, é possível verificar que, na maior parte das vezes, o país colheu frutos com a venda de empresas que um dia foram controladas pelo Governo.

Como exemplo principal do sucesso das privatizações realizadas na década de 1990, cito o caso da Embraer, leiloada à beira da falência em 1994 e que atualmente é a terceira maior fabricante de aviões do mundo, pagando impostos sobre um faturamento anual de quinze bilhões de reais e empregando quase vinte mil brasileiros.

O mesmo pode ser dito sobre o setor de telecomunicações do país que, em função do monopólio estatal até meados da década retrasada, dificultava imensamente o acesso da população até mesmo a uma linha de telefone fixo. Será que se ainda dependêssemos da Telebrás nossa infraestrutura de antenas 3G/4G estaria no mesmo patamar?

O que dizer então da Vale, usualmente apontada com um exemplo negativo das concessões efetuadas pelo governo “neoliberal” de FHC?

Inicialmente, importante ressaltar que a União continua a ser a maior acionista da mineradora, de modo que o controle sobre a empresa não foi totalmente perdido. Quando foi privatizada em 1997, a então Companhia Vale do Rio Doce empregava cerca de treze mil pessoas e tinha um lucro de cerca de quinhentos milhões de dólares. Atualmente, o total de empregados subiu para quarenta e um mil e o lucro recente da empresa atingiu o montante de doze bilhões de dólares. Será que estes números seriam alcançados com uma gestão estatal da empresa? Impossível responder, mas não é de todo irrazoável conjecturar que o patamar de governança e eficiência operacional que apenas uma administração privada podem oferecer contribuíram para o crescimento continuado da Vale.

No mais, em que pese a maior parte do capital da Vale ser negociado em bolsa, a empresa continua a pagar tributos e royalties sobre exploração dos recursos naturais ao Governo. Desta maneira, na minha concepção, temos o melhor dos dois mundos. O país recebe recursos através de impostos, brasileiros continuam a ser empregados e a empresa para de ser utilizada como “cabide de empregos” e ferramenta de negociação política, como tem ocorrido com a Petrobrás.

O Governo Temer já deu sinais que tem interesse em realizar uma nova rodada de privatizações. Correios e Casa da Moeda foram sugeridos como opções iniciais para reforçar o caixa neste momento de crise.

Uma análise mais completa da coerência ou não destas possíveis operações depende da divulgação do modelo exato de privatização que será realizado, mas uma coisa é certa: o país não pode ficar refém do discurso propagado pelo PT, principalmente durante o Governo Lula, de que qualquer tipo de desestatização é necessariamente danosa aos interesses nacionais.

Até mesmo Dilma Rousseff adotou posicionamento contrário à esquerda mais combativa, concedendo ao capital privado diversos empreendimentos de infraestrutura. Aos que utilizam os aeroportos de Brasília e Guarulhos, por exemplo, cabe a reflexão de como era a aparência dos terminais e a operação cotidiana durante a gestão da Infraero. As melhorias são notáveis!

O momento pede pragmatismo para que busquemos as melhores alternativas para que o país saia do atoleiro. Concessões e privatizações devem fazer parte deste leque de opções!

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