O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O (des) governo Temer e o abalo democrático

O Brasil vivencia uma crise sócio-econômica e política de vultosas proporções. O cenário atual é tão imprevisível quanto caótico. O brasileiro vem perdendo sua esperança por dias menos duros. Referências de todos os setores vêm se esgotando.

Pois bem.

Assistimos recentemente ao início da gestão Temer. A Presidente Dilma se viu afastada do cargo para cujo exercício fora democraticamente eleita , e agora terá de se defender formalmente para evitar a ratificação de seu impedimento.

Neste sentido, a ideia de que há um golpe em curso se torna cada vez mais robusta.

Michel Temer, então vice-presidente na gestão Dilma, já dava mostras de que a fidelidade e a honradez não eram marcas de sua conduta.

Em declarações pérfidas, perniciosas, desleais e antiéticas dadas em desfavor de Dilma à imprensa, inclusive no lamentável episódio da “carta” que enviou à Presidente, Temer verdadeiramente tramou contra ela, absolutamente despido do espírito republicano que deveria permear a relação junto à mulher de quem era vice, conspirando do modo mais vil com vistas a tomar-lhe o poder em nome de uma suposta alteração para melhor no quadro nacional.

Parte da população apoiou o governo interino de Temer, julgando que ele consertaria o Brasil, defendendo a lisura, a ética e o fim da corrupção.

Olvidou-se tal parcela populacional de que Temer não é e nem poderia ser o paladino da ética e do combate aos políticos corruptos: ele próprio é “ficha-suja” e está inelegível pelos próximos oito anos. Ora, será que só vemos o que nos interessa? Ou parece razoável que um governante interino, corrupto e conspirador, substitua no comando do País uma Presidente que nem sequer é ré em qualquer ação penal?

Dilma Rousseff não poderia, nem mesmo temporariamente, ter sido afastada da Presidência da República, vez que não atuou criminosamente em nenhum momento, deixando, pois, de se enquadrar nos requisitos autorizadores de seu impedimento.

Quanto às supostas pedaladas fiscais, sobre as quais paira imensa controvérsia, até mesmo pelo fato de inúmeros Governadores no Brasil haverem praticado exatamente a mesma conduta, mas que não foram por elas questionados, deve ser dito que elas não dão azo ao impedimento de Dilma, e, ademais, merece ser lembrado que se Dilma as praticou, Temer também o fez enquanto vice e quando Dilma esteve em viagem.

Ora, então eventual prática indevida, se é que houve, só deve ser repudiada se advier de Dilma? Se outros governantes atuaram de igual modo, ainda que não discutamos a legalidade ou legitimidade destas práticas, merecem ser “esquecidos” e permanecer intocáveis?

Não se está aqui defendendo que um erro compense o outro, mas que não haja dois pesos e duas medidas quando o assunto é um governo esquerdizante.

E, desafortunadamente, é o que está havendo no Brasil, onde uma mulher que não cometeu qualquer crime e que foi eleita pela maioria do povo se encontra temporariamente afastada de sua função presidencial, estando em seu lugar uma fraude, um político condenado pelo TRE, um “ficha-suja” que sorrateiramente, apoiado pelas elites conservadoras, assumiu o poder, promovendo um golpe maquiado de democrático, manchando a história do Brasil de maneira danosa e inaceitável.

Não se questiona que Dilma tinha graves dificuldades no exercício de seu governo. Que fosse prepotente em muitos aspectos. Que estivesse atada em meio a uma crise. O que se repudia é a tomada do poder “na mão grande” por um indivíduo acanalhado, que, mais bem visto pelas oligarquias que mandam no Brasil que a própria Dilma, ascendeu à condição de presidente interino no lugar de uma governante honesta e de respeitável biografia, mas que, por não servir aos interesses das elites, ainda que não se tenha conseguido qualquer elemento que ao menos a tornasse ré em alguma ação penal, foi substituída por Michel Temer.

Isto significa que houve um golpe velado. Nem mesmo o intento da Direita brasileira no sentido de criminalizar alguma conduta perpetrada por Dilma logrou êxito. Ou seja, ela não poderia ser, ainda que temporariamente, sacada de seu cargo.

Há que se entender que não se pode, segundo nosso ordenamento jurídico, tirar do cargo uma presidente democraticamente eleita simplesmente porque seu plano econômico levou a uma recessão, ou porque existem programas assistencialistas, ou mesmo porque o Dólar está demasiado caro.

As classes dominantes, entretanto, pouco se importam com argumentos jurídicos ou éticos. Repudiam o Bolsa-Família. Pouco ligam para o fim da fome. Estão alheias à criação de universidades públicas. Desinteressam-se pelo fortalecimento das classes baixas e pela valorização da periferia. Ao revés, querem um Dólar atraente, uma passagem para Miami que lhes caiba no bolso, um carro zero com menos impostos. E é por isso que Temer chegou ao poder.

Michel Temer representa como ninguém os interesses oligárquicos neste País aviltado e desgovernado. Um país onde olhar para o próprio umbigo é a práxis consolidada. Não importa o outro, a alteridade, o benefício a quem mais precisa. Importa que o status quo seja mantido. Custe o que custar. Ainda que atropelemos a Lei e que se sacrifique uma Presidente honesta.

Somos o País de Bolsonaros, Felicianos, Malafaias. Um País de Jucá, Temer. Um País onde um Ministro discute propostas culturais e educacionais com Alexandre Frota. Onde o Coronel Ustra é homenageado em cadeia nacional e tal fato é tido como normal. Onde diálogos criminosos travados entre autoridades governamentais só ganham relevo se advindos do PT. Um País hipócrita e que não respeita a própria Constituição, que com muito esforço foi conquistada. Uma democracia nova, e por isso ainda mambembe. Um País que não aprende com a própria história.

Que possamos viver dias melhores e que tenhamos consciência daquilo que de fato precisa ser feito se quisermos conquistar um Brasil do povo e para o povo: solidificar genuinamente nossa democracia.

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