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A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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A lição da cultura do empreendedorismo dos EUA

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Quem vive no Brasil, se acostumou com a enxurrada de reality shows que surgiu no país nas últimas décadas. Big Brother, A Fazenda, No Limite, são diversos os programas que exploram a vida "real" de pessoas comuns que não se conhecem e passam meses confinadas e isoladas do resto do mundo. Tais programas, na maioria dos casos importados de outros países, se tornaram febre no país e atraem milhões de telespectadores todos os anos.

Nos Estados Unidos, esses programas até gozam de boa popularidade, mas tem sido ofuscados por game shows que também tem como personagens pessoas comuns, mas cuja temática é o mundo dos negócios. A principal atração da TV americana nessa matéria é o "Shark Tank", programa da CNBC, transmitido pelo TLC no Brasil, e que em breve estará iniciando sua 8ª temporada.

Nesse show, pequenos empreendedores são recebidos por um grupo de empresários de sucesso e tentam convencê-los a investir em seu negócio. Em troca, os investidores recebem um percentual da companhia ou royalties por cada produto vendido. O programa gira em torno dessa negociação, que nem sempre leva a um acordo entre as partes, mas já celebrou centenas de milhões de dólares em negócios. Vencedora de dois Emmys, maior prêmio da TV americana, a atração atingiu em sua última temporada uma média de quase 7 milhões de espectadores por episódio, apenas nos Estados Unidos.

O sucesso de shows como "Shark Tank" evidenciam a forte cultura do empreendedorismo nos Estados Unidos. Incentivados pela pouca burocracia e pela facilidade de se obter boas linhas de crédito, os americanos não tem medo de se arriscar e empreender. Segundo números da U.S. Small Business Administration (SBA), hoje nos Estados Unidos, há mais de 28 milhões de pequenos negócios, que geram aproximadamente 49% dos empregos do país. Desde 1995, a cada 3 novos empregos que são gerados no país, 2 são em pequenos negócios. Ainda de acordo com a publicação, esses empreendimentos correspondem a 50% da participação de empresas privadas no Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e são responsáveis 97% das exportações do país (número se refere a quantidade. Em termos de valor em US$, equivale a 29%).

No Brasil, apesar de termos números mais modestos, tendo quase 7 milhões de pequenos negócios no país, 52% dos empregos formais no país são gerados por esses negócios, segundo o Sebrae. Essas empresas são responsáveis por 25% do PIB nacional, embora apenas 1% de nossas exportações correspondem a produtos fabricados em pequenas empresas. A explicação para esse número tão diminuto, revela a principal diferença entre o empreendedorismo no Brasil e nos Estados Unidos: a natureza dos negócios No Brasil, 80% dos pequenos negócios estão na área de serviços e no comércio.

Diferentemente dos Estados Unidos, o empreendedorismo no Brasil se dá muito mais pela necessidade, do que efetivamente por um projeto de vida. Nossos empreendedores costumam vir de camadas mais humildes da sociedade, tem pouca qualificação profissional e geralmente são mais velhos. Quase 63% deles estão na classe C, D ou E e mais de 71% tem mais de 30 anos. Dessa forma, a indústria costuma ser um caminho menos improvável para nossos pequenos empresários, realidade completamente oposta dos Estados Unidos. Para se ter uma idéia, por lá, segundo o Small Business Technology Council, pequenas empresas empregam 32% do cientistas e engenheiros, mais que as grandes empresas (27%) e que as universidades e laboratórios federais juntos (29%).

A verdade é que no Brasil há poucos estímulos para se empreender. O alto nível de burocracia, associado as altas taxas de juros, a elevada carga tributária e até mesmo a instabilidade econômica, que embora seja menor que décadas atrás, ainda tem relevância, desestimulam novos empreendimentos. Além disso, há mesmo uma questão cultural. Falta investimento e ênfase no estudo de ciência e tecnologia nas escolas e não há disciplinas que ensinem noções básicas de empreenderismo. Diante desse quadro, nossos jovens em geral, sonham em trabalhar no setor público, como abordamos no texto Um país de concurseiro, e tem pouco interesse em se aventurar e ter seu próprio negócio.

É fundamental que o país reveja sua relação com o empreendedorismo. Ele é chave para o desenvolvimento da nação. Precisamos derrubar barreiras, estimular nossos jovens e criar uma cultura de negócios diferente. O brasileiro precisa aprender a ser dono de seu destino e se tornar menos dependente do Estado. Essa é a chave para um futuro mais próspero, com um país mais rico, desenvolvido e competitivo.

 

 

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