O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Alexandre Frota, a mais nova celebridade brasileira na política

Poucas personalidades brasileiras são tão polêmicas quanto Alexandre Frota. Conhecido por ter sido ator da Rede Globo de Televisão, na década de 1980, Frota caiu no ostracismo na nos anos 90 e ressurgiu em 2001, após participar da Casa dos Artistas, reality show do SBT. Desde então, se aventurou por diversas áreas. Participou de outros reality shows, inclusive fora do país, empresariou grupos de dançarinas de funk, participou de filmes pornôs e até se aventurou em partidas de futebol americano e lutas de MMA. Agora, o ex-ator global, se tornou ativista político.

Em meio à ebulição política dos últimos meses, Alexandre Frota também resolveu se envolver no assunto. Tendo se aproximado de grupos que defendem o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, Frota tem divulgado com frequência vídeos onde expõe suas opiniões, e recentemente fez uma visita aos Ministérios da Educação e da Cultura para apresentar algumas de suas ideias. É absolutamente natural que o ator defenda seus pontos de vista, isso faz parte do jogo democrático, e ele como cidadão tem todo o direito de fazê-lo. O que causa estranheza é que o Ministro da Educação o tenha recebido em uma audiência extraordinária. Por que o Ministro arrumou um espaço em sua agenda para conversar com Frota? A resposta me parece clara: Aproveitando-se de sua popularidade como artista, Alexandre Frota está dando seus primeiros passos na carreira política.

É legítimo que artistas, ex-atletas e todo o tipo de celebridade, assim como qualquer cidadão comum, tenham aspirações políticas. Não há nada de errado nisso e a Constituição Federal não discrimina quem deseja concorrer a qualquer cargo político, em função do tipo de carreira que traçou anteriormente. Mas não deixa de ser curiosa, a quantidade de personalidades conhecidas que tem se aventurado na política brasileira. Os ex-jogadores de futebol Romário, Bebeto, Danrlei e Jardel, os cantores Sérgio Reis e Leci Brandão, o ex-Presidente do Corinthians, Andres Sanches, o ex-BBB Jean Wyllys e o palhaço Tiririca são alguns exemplos de celebridades que hoje exercem algum cargo no Poder Legislativo.

Nada impede que celebridades sejam pessoas capacitadas para exercer um cargo político, basta ver o caso do ex-ator Ronald Reagan, que veio a se tornar um dos maiores senão o maior Presidente da história dos Estados Unidos. Mas o importante é que eles sejam eleitos por suas qualificações para exercer o cargo ao qual se candidatam, não pelo simples fato de serem famosos. A quantidade excessiva de celebridades na política do país, porém, demonstra o quanto o brasileiro se deixa influenciar pela notoriedade dos candidatos principalmente do meio artístico e esportivo. Aquilo que importa, a capacidade política, fica no segundo plano.

A eleição de personalidades conhecidas é apenas mais uma prova da pouca maturidade do brasileiro na hora do voto. Votar no craque do seu time de coração, no seu cantor favorito ou no vencedor do último BBB, demonstra que nossas escolhas políticas são definidas por valores absolutamente invertidos. Precisamos repensar nossa relação com a política. É necessário que assumamos nosso dever cívico com mais responsabilidade, afinal a política é, ou pelo menos deveria ser a mais nobre das ciências. Hoje, porém, talvez ela sequer seja uma ciência, e certamente passa muito longe de ser nobre.

O (des) governo Temer e o abalo democrático

A Escandinávia e o "Socialismo"