O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

A Escandinávia e o "Socialismo"

Os países nórdicos são usualmente citados por políticos e ativistas de esquerda como exemplos de um modelo econômico socialista aplicado de forma bem sucedida. Tais países possuem altíssimos níveis de qualidade de vida e desenvolvimento, o que seria conseqüência direta de serviços estatais de qualidade viabilizados por uma alta carga tributária. Será que Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia adotam mesmo um paradigma econômico-politico de viés socialista?

De forma clara e objetiva, não. O que há é uma grande confusão entre a social-democracia e algo que é usualmente referenciado como socialismo-democrático, mas que, na prática, não pode ser observado na Escandinávia.

Em palestra recente na Universidade de Harvard, o primeiro-ministro da Dinamarca Lars Rasmussen tentou explicar o modelo nórdico para estudantes americanos fascinados pela campanha presidencial de Bernie Sanders, que corriqueiramente aponta as nações escandinavas como a prova da viabilidade do socialismo. Em suma, Rasmussen evidenciou que não há qualquer planejamento da economia em seu país e que a Dinamarca é uma economia de mercado, onde a livre iniciativa e o comércio são os carros-chefe do desenvolvimento.

A realidade é que não faltam exemplos de liberalismo econômico nos países do norte europeu. Não há salário mínimo imposto pelo Estado, grandes empresas, quando quebram, não são salvas pelo Governo (vide caso recente da Volvo, na Suécia), o comércio exterior é amplamente difundido e estas nações estão entre as mais globalizadas do mundo.

Não poderia ser diferente.

A riqueza na Suécia ou na Noruega não provém do Estado, mas sim do setor privado. Ao contrário de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela, não há expropriações em massa ou restrições para abrir novos negócios. Há sim um sistema de tributação progressivo, que pode chegar na casa dos 60%, e que permite o subsídio de serviços sociais gratuitos como saúde e educação.

Taxação progressiva, entretanto, não deve ser confundida com socialismo.

O que temos naquela região nada mais é do que a velha social-democracia, onde o capital e a propriedade privada são tributados para subsidiar uma rede de proteção e serviços para os cidadãos. Esse modelo não é difundido apenas na Suécia ou na Dinamarca, mas em toda Europa. No Brasil, desde 1988, também buscamos adotar esse paradigma, ainda que com um grau de sucesso bastante inferior ao de Noruega ou Finlândia. Um dos motivos para o nosso fracasso são justamente o fechamento da nossa economia, a dificuldade de se abrir uma empresa e a falta de incentivos para empreender.

Devemos olhar os países da Escandinávia, ou mesmo Alemanha e Canadá, como exemplos de nações capitalistas que buscam o bem-estar social. Uma evolução do capitalismo tradicional exportado pelos Estados Unidos? Talvez. A realidade, entretanto, é que o chamado "socialismo do século XXI" já deu as caras na Venezuela e lá falta até papel higiênico.

Alexandre Frota, a mais nova celebridade brasileira na política

1964: Revolução ou golpe?