O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Sobre a denúncia contra Lula

Ontem foi apresentada publicamente pelo Ministério Público Federal em Curitiba denúncia contra Lula, sua esposa Marisa Letícia e outros seis agora réus por crimes como corrupção e lavagem de capitais.

Como tudo que envolve Lula, as reações foram, além de inflamadas, óbvias e esperadas. Dependendo de sua posição política, a medida tomada pelo MPF ou é atacada ou festejada. Não há meio termo.

Os apoiadores do ex-presidente apontam que toda a chamada Operação Lava-Jato está maculada politicamente e que Lula nunca seria capaz de cometer qualquer crime. Já os adversários do “lulopetismo” o veem como a figura mais vil e asquerosa desde Adolf Hitler e Josef Stálin.

Ambas as visões estão equivocadas e representam unicamente a pobreza intelectual e a dificuldade de se coletar e analisar fatos de forma fria e coesa, algo que devemos em parte ao nosso desastroso sistema educacional e aos baixíssimos níveis culturais mesmo das famílias com mais alto poder aquisitivo.

Logo após a coletiva do MPF, Lula e Marisa, através de seus advogados, divulgaram nota à imprensa onde reforçam a tese da “perseguição política”, de modo a tentar evidenciar que todas as acusações que lhe são feitas seriam descabidas. A única tese de defesa que guarda relação com mérito da denúncia é a sempre repetida alegação de que eles não seriam “donos” do tríplex no Guarujá ou do sítio em Atibaia.

Ora, se propriedade fosse pré-requisito para se condenar alguém pelos crimes aqui apontados, seria impossível a punição de inúmeros denunciados que ocultam seus bens através do famigerado “laranja”, figura conhecida e estimada por boa parte de nossa classe política. O fato dos imóveis estarem em nome de uma empreiteira e de um amigo não isentam Lula de responsabilidade caso fique comprovado, ao longo do processo, que tais bens estavam à sua disposição e que as melhorias neles engendradas foram financiadas indevidamente.

Não posso compactuar, entretanto, com o espetáculo montado pelos Procuradores que, utilizando uma apresentação amadora e repleta de erros, designam ser Lula o “comandante máximo do esquema de corrupção” sem que tal acusação faça parte efetivamente da denúncia, que se limitou aos crimes de corrupção ativa/passiva e lavagem de dinheiro.

Montar um verdadeiro circo e utilizar-se de expressões chamativas, visando unicamente ser manchete nos jornais, não é conduta à altura de um órgão da importância do Ministério Público Federal. Melhor seria se os Procuradores tivessem, de forma discreta, respeitosa e protocolar, encaminhado sua denúncia por escrito ao órgão julgador responsável. Não é papel do MPF dar coletivas de imprensa ou emitir opiniões fora dos autos.

Por isso, tendo em mente que Lula não é a figura messiânico-satânica exposta nas redes sociais, defendo que o ex-presidente responda judicialmente por aqueles atos onde há efetiva prova de materialidade criminosa. Nada mais, nada menos.

Lula e o processo penal midiático: o quê será do Brasil?

Um docinho pra você e outro docinho pra mim