O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A mesquinha II - O ataque dos mortos-vivos

Finalmente entramos em Maio e o mês promete ser histórico. Gostemos ou não, queiramos ou não, em breve, o Senado Federal irá confirmar a decisão da Câmara Federal sobre a admissibilidade do impeachment e Dilma Rousseff será afastada da Presidência da República. O debate é justo, os questionamentos legítimos, mas nada disso mudará o fato, já consumado, de que, ainda nas próximas semanas, Michel Temer irá assumir o comando do país. Dessa maneira, a discussão sobre o afastamento se tornou infrutífera, e assim, é necessário virar a página e focar nos próximos passos para o país: o julgamento definitivo do mérito no Senado, em até 180 dias, e principalmente, tirar o país da profunda crise econômica que se encontra.

Visto que o afastamento é irremediável, era de se esperar que, enquanto aguarda que o Senado confirme a admissibilidade do afastamento, a Presidente da República tivesse a grandeza de espírito de conduzir uma transição de Governo de forma pacífica e da maneira menos traumática possível. Dilma ainda é a Chefe de Estado e por isso tem a obrigação de prezar acima de tudo pelos interesses nacionais. Mesmo sabendo que ela se sente injustiçada, traída e abandonada, nada disso lhe dá o direito de se deixar dominar por seus sentimentos pessoais ou partidários. O bom senso e principalmente o dever que lhe é atribuído pela função que exerce devem prevalecer, até porque qualquer tipo de sabotagem ao novo Governo é acima de tudo um boicote contra o próprio povo brasileiro. Entretanto, infelizmente os últimos acontecimentos indicam que bom senso e senso de responsabilidade são as últimas coisas que podemos esperar da Presidente e de seu grupo político.

Na última semana foi noticiado que o PT, em reunião ocorrida em sua sede e na presença de suas principais lideranças, decidiu que não irá fazer a transição de governo. Por considerar ilegal o processo de impeachment, o partido argumenta que um novo Governo não teria legitimidade e por isso não há justificativa para um processo de transição. Além disso os programas conduzidos pela Presidente, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento, serão acelerados. Em paralelo, o PT convocou os "movimentos sociais", tais como a CUT, o MST e o MTST, para promoverem ações que visam desestabilizar o país enquanto o risco de impeachment não for afastado. Foi traçada uma estratégia de terra arrasada, com o objetivo de tornar o país ingovernável e os primeiros movimentos já foram feitos.

Fontes internas do Planalto, afirmam que a Presidente já determinou que todo o tipo de documento seja encaixotado e retirado de dentro do Palácio imediatamente. Na última quinta-feira, o MTST organizou 26 atos em 8 estados e no Distrito Federal, bloqueando vias e estradas, e causando transtorno a milhões de brasileiros. Segundo o líder do movimento, Guilherme Boulos, esses protestos se tornarão rotina, caso Dilma seja afastada. Ontem, durante ato em comemoração ao Dia do Trabalho, a Presidente anunciou um reajuste de 9% no valor do Bolsa Família, mesmo em um momento em que há urgência de se implementar um vigoroso ajuste fiscal para conter o déficit nas contas públicas. A lógica petista é que dessa maneira, ela sai com o mérito do aumento e o futuro Presidente Temer que se vire para arcar com mais essa despesa.

Através desse comportamento irresponsável, fica mais uma vez provado que Dilma não é e nunca será uma estadista de verdade. Além disso, se evidencia ainda mais o descompromisso do PT com uma política de Estado que verdadeiramente vise o bem-estar social e econômico. Sua avidez por poder é brutal, supera qualquer limite aceitável e revela sua natureza sórdida, mesquinha e oportunista. Que o Senado tenha sensibilidade de acelerar o processo de impeachment, que Dilma e o PT sejam afastados o mais rápido possível e que essa triste página da política brasileira seja superada em definitivo. No futuro do país, não tem mais espaço para essa gente e não tem mais tempo a perder.

 

O ocaso de Dilma Rousseff

Por um novo pacto federativo