O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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BREXIT: ponderações sobre a possível saída da Grã-Bretanha da União Europeia

No dia 23 de junho os cidadãos da Grã-Bretanha irão decidir ser o país deve ou não permanecer na União Europeia. Uma escolha com repercussões históricas importantíssimas, ainda que a maior parte dos votantes talvez não tenha esta consciência. A UE começou a ser idealizada após o final da segunda guerra mundial, como uma forma de impulsionar o comércio e o intercâmbio cultural entre os diferentes estados-nações que desde séculos guerreavam entre si.

Acredito que a iniciativa tenha sido bem-sucedida em seus objetivos iniciais, já que de fato o comércio entre os países foi significativamente ampliado e o continente vive um período de estabilidade que já dura décadas. Isto permitiu, de forma geral, a elevação da qualidade de vida em todos os integrantes da União, em que pese a existência de problemas econômicos recentes nos países periféricos.

A questão principal é, ao meu ver, se estes objetivos poderiam ser atingidos no contexto atual sem a existência de uma autoridade central em Bruxelas.

É natural que as pessoas encarem a paz e cooperação entre os países europeus como algo normal, quase que definitivo, considerando os mais de sessenta anos sem conflitos na Europa Ocidental. É importante, entretanto, ter em perspectiva que seis décadas não representam muita coisa em um contexto de séculos de guerras, batalhas e embates por território e poder dentro do continente. Desconfianças, inimizades e velhas rivalidades entre Inglaterra, França e Alemanha podem estar adormecidas, mas certamente não estão totalmente superadas.

Pessoalmente, acredito que um dos principais problemas do modelo europeu atual é a existência de uma autoridade financeira em Frankfurt que determina a estratégia econômica da UE e as perspectivas monetárias do Euro. Isto se revelou uma séria desvantagem para países menores como Portugal e Grécia que, integrando o sistema da moeda única, se viram impossibilitados de realizar ajustes em seu câmbio para tornar suas indústrias mais competitivas em momentos de crise.

O Reino Unido não tem esse problema, já que a moeda por lá é a Libra e não o Euro. Isto não quer dizer, entretanto, que não existam motivos para que os britânicos estejam divididos sobre sair ou não da UE. Um dos principais argumentos utilizados pelos defensores do BREXIT é a falta de representatividade do Parlamento Europeu. De fato, esta instituição é um tanto quanto curiosa.

Apesar de ser uma casa legislativa, o Parlamento Europeu não tem poderes para iniciar o processo de criação de leis, algo que é delegado à Comissão Europeia, órgão composto por vinte e oito representantes, um de cada país-membro da União. O principal problema desta estrutura é que os integrantes desta comissão não podem ser destituídos pela população em caso de insatisfação com a redação ou a aprovação desta ou daquela lei. Há espaço, portanto, para o aperfeiçoamento democrático das instituições da União Europeia. 

Não obstante, será que estas dificuldades de representação seriam suficientes para dissolver o projeto europeu? Penso que não.

A permanência dos britânicos na União Europeia é fundamental para o futuro da iniciativa que garantiu paz e estabilidade ao velho continente. Como já dito, a Grã-Bretanha possui total autonomia financeira e monetária, além de não fazer parte da chamada Área Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os países integrantes do grupo. Ou seja, a posição do Reino Unido é a melhor possível, já que mantém total controle de suas fronteiras e ampla capacidade de conduzir sua economia, beneficiando-se, ao mesmo tempo, das facilidades comerciais trazidas pela UE.

Sair da União Europeia em um momento em que as incertezas globais demandam mais cooperação entre os países me parece uma decisão afoita e que não leva em consideração as perspectivas históricas e as possíveis consequências futuras de um isolacionismo que não costuma produzir bons resultados.

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Estupidez sem fim