O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

O impacto da saída do PMDB

Nessa semana, o PMDB confirmou o que se esperava e desembarcou do Governo. Depois de 13 anos na base governista, o partido do Vice-Presidente Michel Temer resolveu pular fora do barco que parece afundar um pouco mais a cada dia. Mas na prática qual é o impacto desse desembarque no processo de impeachment? Será que o destino da Presidente Dilma foi selado e seus dias no Planalto contados? Não obrigatoriamente.

Apesar de contar com a maior bancada do Congresso, tendo 68 deputados, o PMDB há tempos já era um partido dividido. Para se ter uma ideia, nas últimas eleições presidenciais, mesmo tendo Temer como vice na chapa de Dilma, diversos diretórios da legenda decidiram apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves. Pode-se dizer que mesmo antes do desembarque, o PT já não contava com parte significativa dos votos peemedebistas na sessão da Câmara que selará o destino da Presidente. Agora, esse número se multiplicou, mas ainda assim, o governo espera que alguns deputados "rebeldes" contrariem a decisão partidária e decidam por conta própria votar contra o impeachment. O dano é grande, mas é menor do que parece no primeiro momento.

Outro ponto que deve ser considerado é a quantidade de cargos que o PMDB deve devolver nos próximos dias. Além de 7 ministérios, estima-se que existem cerca de 2.000 cargos públicos em nome de peemedebistas. O Planalto enxerga isso com bons olhos, em um momento que luta por cada voto no processo do impedimento. Como era de se esperar, abriu-se um balcão de negócios e o PT busca atrair com a oferta de cargos especialmente deputados do chamado baixo clero, além de garantir a permanência de PP e PSD na base. As estimativas atuais dão uma pequena vantagem para a oposição, mas o Governo não parece estar muito longe dos 171 votos que necessita para barrar o processo de impeachment.

A votação deve ocorrer em menos de um mês, mas não é possível ainda cravar o resultado. O que é possível afirmar é que mesmo que Dilma consiga sobreviver, ela terá o desafio de governar o país com uma base parlamentar extremamente reduzida, com um ministério ainda mais esdrúxulo que o atual, sem contar com um grande apoio popular e sempre sob a constante ameaça do avanço a Operação Lava Jato. Isso no momento em que estamos diante da pior crise econômica dos últimos 80 anos e reformas como a da Previdência e Tributária precisam ocorrer imediatamente. A verdade é que se a possibilidade do impeachment tira hoje o sono do Governo, o cenário em caso de permanência pode ser um pesadelo ainda maior para Dilma. 

O demagogo contumaz

A unanimidade brasileira