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As convicções de Marcelo Freixo e sua iminente derrota

Marina Navarro Lins

Marina Navarro Lins

A disputa eleitoral no Rio de Janeiro se aproxima de sua reta final. Em menos de 20 dias saberemos quem será o novo prefeito da cidade. Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL), sobreviventes do primeiro turno, são os candidatos em um dos pleitos mais inusitados da história.

É certo que nem a presença de Crivella, nem a presença de Freixo no segundo turno chega a ser uma surpresa. Ambos são políticos bastante conhecidos do grande público, com votações significativas em pleitos anteriores. O psolista ficou na segunda colocação na última disputa municipal em 2014, enquanto o Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino do Deus perdeu a eleição para governador em 2014, apenas no segundo turno. A novidade nessa disputa é a ausência dos partidos tradicionais nesse segundo turno. O PT sequer teve candidato, o candidato do PSDB, Carlos Roberto Osório, teve votação apenas modesta, enquanto o PMDB, do atual prefeito Eduardo Paes, apesar do crescimento na reta final, não conseguiu sucesso com a candidatura de Pedro Paulo.

As primeiras pesquisas, tanto do Ibope quanto do DataFolha, indicam que Crivella, que já liderava ao final do primeiro turno, ampliou sua vantagem e já aparece com aproximadamente o dobro das intenções de voto de seu adversário. Os números apresentados mostram que os eleitores dos candidatos derrotados no primeiro turno, estão migrando de maneira expressiva para Crivella. Eleitores de Pedro Paulo, Osorio, Flávio Bolsonaro (PSC) e Índio da Costa (PSD), candidatos que somados atingiram quase 48% dos votos válidos, tem se manifestado mais simpáticos ao ex-ministro da pesca, enquanto Freixo tem vantagem apenas entre eleitores de Jandira Feghali (PCdoB) e de Alessandro Molon, que somados não obtiveram sequer 5% dos votos.

Marcelo Freixo está em situação crítica. Ele tem menos de três semanas para reverter um quadro extremamente desfavorável e conquistar votos de eleitores que em sua maioria jamais cogitou votar nele. Freixo precisa descobrir uma maneira de seduzir eleitores de direita, conservadores, liberais e todo o tipo de gente que pensa de maneira diametralmente oposta à ele.

Em tese, a tarefa do psolista, embora muito difícil, não é de todo impossível. Apesar da pouca afinidade de Freixo com parte significativa do eleitorado, seu adversário também não goza de muita popularidade perante esses mesmos eleitores. Fortemente ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e a bancada evangélica na Câmara, Crivella desde o início da corrida eleitoral era um dos líderes de rejeição e praticamente metade dos cariocas dizia que jamais votaria nele. Entretanto as últimas pesquisas demonstram que Freixo não tem sabido usar isso a seu favor. A razão disso? O psolista se mantém fiel demais as suas próprias convicções.

O que parece a princípio ser uma boa coisa, é na verdade a principal dificuldade de Marcelo Freixo. Desde o momento que confirmou sua passagem para o segundo turno, o candidato tem demonstrado pouco interesse em fazer qualquer tipo de concessão para conquistar os eleitores de outras correntes ideológicas. Mantendo o discurso do "golpe", angariando apoio do senador Lindbergh Farias (PT) e da candidata derrotada Jandira Feghali, levando Eduardo Suplicy (PT) para seu palanque, atraindo apoio de artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, Freixo apenas reforça sua imagem esquerdista e em nada se aproxima dos eleitores que precisa conquistar para se eleger. Sua estratégia política absolutamente equivocada está dando votos de bandeja a Crivella, sem que esse faça qualquer tipo de esforço.

A história mostra que é imprudente cravar qualquer resultado eleitoral antes da contagem oficial de votos. Pesquisas eleitorais muitas vezes cometem erros e em duas semanas muita coisa pode acontecer. Entretanto fica cada vez mais improvável vislumbrar Marcelo Freixo como vencedor no próximo dia 30 de outubro. E não será por mérito de seu adversário e sim por seu apego a suas convicções. Entre repensa-las ou perder a eleição, Freixo preferiu a derrota.


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