O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Ceteris Paribus: a brecha dos ortodoxos.

“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” disse Juracy Magalhães, o ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos.

Quem estuda a história econômica brasileira vai se deparar com uma majoritária influência da economia ortodoxa em termos de direcionamento das nossas políticas econômicas.

Raríssimos foram os momentos em que o Brasil procurou compreender sua singular estrutura socioprodutiva e lançar bases para um desenvolvimento que respeitasse a própria cadência das relações internas do país.

Entendo ser um erro brutal que nossos políticos e economistas tentem transpor esquemas pensados em contextos e países tão diferentes à conjuntura brasileira e, como mencionei acima, é o que acontece historicamente nos encaminhamentos das políticas econômicas do Brasil.

Para quem estudou, ou leu, um mínimo dos pais da economia clássica ortodoxa, Adam Smith, David Ricardo e Jean Baptiste Say, fica fácil constatar em todos os esquemas apresentados por estes pensadores que o conceito "ceteris paribus" se encontra presente.

Este conceito representa para a economia o que a CNTP, ou Condições Normais de Temperatura e Pressão, representa para os experimentos na física e química. Ou seja, qualquer experimento feito em CNTP, ou em "ceteris paribus", não pode ter resultados tidos como absolutos no mundo real, onde há uma infinidade de variáveis alterando e influenciando o resultado final.

A mão invisível smithiana regulando o mercado, a teoria da vantagem comparativa ricardiana e a auto regulação dos mercados de Jean Baptiste Say só funcionam, segundo eles mesmos, em condições de PERFEITA CONCORRÊNCIA ou em "ceteris paribus", isto é, onde todos os atores que disputam a arena econômica estejam em pés de igualdade na hora de ofertar e demandar produtos e serviços no mercado.

Se houvesse uma situação de concorrência perfeita, ou "ceteris paribus", os esquemas apresentados pelos ortodoxos funcionariam perfeitamente. No entanto, o que temos no mundo real é algo completamente diferente.

Cada vez mais, nós estamos diante de uma concentração de riquezas que geram um tremendo distúrbio nas concorrências dos mercados. No mundo todo, nós temos aproximadamente 15 multinacionais gigantes que controlam 75% de tudo o que nós consumimos em termos de comidas, bebidas e artigos domésticos. Temos, também, 62 pessoas que controlam 50% de todos os bens e riquezas do mundo. Segundo a revista Forbes, apenas 20 empresas controlam quase a totalidade da exploração do petróleo em todo o planeta. Em um mundo com mais de 190 países, menos de 10% conseguem gerar condições mínimas de sobrevivência para toda sua população.

Estes são alguns poucos exemplos que nos mostram não existir a tal concorrência perfeita, ou "ceteris paribus", na arena de disputa econômica do mundo atual. A concepção de um bem estar social para toda população via ortodoxia econômica é uma falácia para alguns países, pois todos eles partem de condições extremamente desiguais no mercado internacional.

Entendo ser de extrema importância que o Brasil esteja cada vez mais aberto ao mercado internacional e sabemos que empresas transnacionais já dispõem de quase a totalidade do setor produtivo brasileiro (é só buscar a composição de acionistas das maiores empresas do país e vamos verificar a quantidade de capital internacional na composição das grandes empresas brasileiras).

No entanto, segundo Fernando Henrique Cardoso, em seu livro “O Empresário Industrial e o Desenvolvimento Econômico no Brasil”, o nosso país possui uma classe empresarial que aceitou ser “sócio menor do capitalismo global”, e justamente por isto, entendo que precisamos ter clareza de que não disputamos o mercado em pés de igualdade, conforme os modelos propostos pelos clássicos ortodoxos e que, se não tomarmos cuidado, o Brasil ficará completamente subordinado as leis desiguais do mercado mundial e, mais uma vez, não conseguiremos direcionar nossas políticas econômicas de acordo com o padrão produtivo em que as relações sociais brasileiras foram edificadas.

Uma adequação a um padrão produtivo internacional leva tempo, deve ser construído e não pode ser imposta a força.

Ou seja, nem sempre o que é bom para os Estados Unidos vai ser bom para o Brasil.

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