O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Estupidez sem fim

Steve Nesius/Reuters

Steve Nesius/Reuters

Minha idéia era escrever sobre um assunto totalmente diferente hoje. Iria escrever sobre financiamento privado de campanhas eleitorais no Brasil, mas é impossível fugir do assunto que tomou conta do noticiário por todo o mundo: a terrível tragédia ocorrida na madrugada de ontem (domingo) em Orlando, nos Estados Unidos. Um homem portando duas armas, invadiu uma boate gay e abriu fogo contra centenas de clientes. 50 pessoas morreram e outras 53 foram feridas, no pior ataque em território americano desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Omar Mateen, de 29 anos, filho de pais afegãos, mas nascido em território americano, ao que tudo indica agiu sozinho. Entrou na boate e começou a barbarie sem fazer nenhum tipo de distinção. Embora não tenha encontrado resistência alguma, atirou em quem passou pela sua frente. Manteve reféns por quase 3 horas, mas não fez reivindicação nenhuma. Sua intenção era apenas matar. Só parou quando a polícia entrou e durante uma troca de tiros, o atingiu de maneira fatal.

Omar vinha sendo monitorado há anos pelas autoridades como potencial terrorista e já havia sido entrevistado duas vezes pelo FBI. Em nenhuma delas, foi identificado qualquer tipo de conexão com o terrorismo internacional. De fato, não há indícios que ele tenha contado com a colaboração de nenhum comparsa, embora exista a suspeita que ele tenha algum tipo de ligação com grupos terroristas. Segundo as autoridades, ele teria inclusive ligado para o serviço de emergência 911, vinte minutos antes de iniciar o massacre, jurando lealdade ao grupo fundamentalista Estado Islâmico.

De acordo com a CNN, após a tragédia, a ex-mulher de Omar afirmou que não acredita que o ataque tenha sido motivado por questões religiosas. De acordo com ela, o terrorista não apresentava nenhuma espécie de fanatismo dessa natureza, embora fosse uma homem violento e portador de um transtorno bipolar nunca diagnosticado. Ainda segundo a CNN, os pais de Omar também afirmaram que não acreditam que a motivação tenha sido fundamentalismo religioso. Conforme a emissora apurou, eles relataram que em uma visita a Miami há alguns meses atrás, seu filho teria se indignado ao ver dois homens se beijando, o que leva a crer em um atentado de caráter homofóbico.

Seja qual for a razão dessa atrocidade, o atentado de ontem expõe com ainda mais clareza um dos maiores dramas da sociedade americana: assassinatos em massa. Segundo a ABC, desde 1982, foram 74 ataques em massa, que resultaram em 639 mortes e 596 pessoas feridas. Na grande maioria do casos, as armas usadas nos crimes foram obtidas legalmente. Ao que tudo indica, foi o caso de ontem.

Como um homem que está sob o radar do FBI por alguns anos consegue, comprar armas legalmente, e o órgão sequer é informado? Esse massacre reacende o debate sobre a facilidade de se comprar armas de fogo nos Estados Unidos, assim como aumenta o discussão sobre a política de imigração no país. E isso tudo em um ano marcado por uma eleição presidencial onde os candidatos tem posturas tão distintas sobre esses assuntos. Não há dúvida, que a partir de agora mais do que nunca, a segurança nacional ganhará um protagonismo ainda maior na corrida à Casa Branca.

Nada irá trazer as vítimas de volta. O trauma dos sobreviventes, a dor de amigos e familiares, e o horror de um país inteiro não serão apagados facilmente. Entretanto, o novo Presidente terá que olhar para frente e trabalhar incansavelmente para encontrar a solução para esse terrível drama que vem se repetindo com frequência assombrosa. Banir a venda de armas? Implementar políticas de imigração mais restritivas? Investir mais na inteligência? Interferir mais decisivamente no Oriente Médio ou sair de lá e deixar seu povo a própria sorte? São muitas questões e um desafio imenso. Que o futuro Presidente tenha sabedoria para conduzi-las...

BREXIT: ponderações sobre a possível saída da Grã-Bretanha da União Europeia

A lógica ideológica por trás da idéia de "golpe", n° 2