O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Um novo começo?

Com Temer empossado, tem início uma nova etapa da história política do Brasil. Após 13 anos de PT, o país passa a ser comandado diretamente por uma composição de partidos sob a liderança do Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB. Não obstante, longe de serem estranhos no ninho, Temer e seus ministros mais próximos já desfilam pelos corredores do poder em Brasília há algumas décadas. Não se trata, portanto, de uma efetiva renovação política, mas meramente de uma oxigenação temporária no Palácio do Planalto e na administração pública federal.

Desconfianças à parte, superado o imbróglio envolvendo o processo de impeachment, que julgamos até o momento ser legítimo, e sendo extremamente improvável o retorno de Dilma Rousseff à presidência do país, é hora de analisar as primeiras medidas defendidas e aplicadas pelo governo de Michel Temer.

O primeiro ato formal do novo chefe do Poder Executivo foi um discurso de cerca de 30 minutos onde deu o tom do que será perseguido em sua administração. Destaco abaixo os tópicos que mais me chamaram atenção seguidos de comentários:

 

1º. Ponto: garantia de manutenção dos programas sociais e de demais iniciativas que deram certo – importante para tentar superar a desconfiança de parcela da população com o novo governo, que teme que seus benefícios assistenciais sejam sumariamente revogados, tal qual propagado falsamente durante o término da administração Rousseff;

2º. Ponto: reconhecimento da gravidade da crise por qual passamos – para que a confiança seja reconquistada, acredito ser prudente detalhar com clareza a péssima situação econômica que atravessamos atualmente.

3º. Ponto: novo pacto federativo, buscando dar força para Estados e Municípios – esta é uma questão essencial para a modernização do Estado brasileiro. Me reporto a artigo anterior sobre o assunto.

4º. Ponto: reformas – ao longo de seu discurso, Temer indicou que buscará a aprovação de reformas que permitam a retomada econômica do Brasil e estabilização das finanças da nação. Dentre elas, foi mencionada nominalmente a reforma previdenciária, essencial para manutenção da solvência da previdência social e garantia de que as expectativas de direito das futuras gerações sejam atendidas.

5º. Ponto: comentários sobre questões relevantes de ordem institucional e também envolvendo a conjuntura internacional – O Presidente em exercício mencionou nominalmente a Presidente afastada Dilma Rousseff e reiterou a importância de nossas instituições democráticas.

Acredito que o discurso inicial é bastante promissor. Temer tocou em diversos pontos fundamentais para que o Brasil reencontre o caminho do crescimento e do desenvolvimento, restando saber se tais medidas serão eficientemente implantadas. Em que pese o bom tom das palavras, é certo que a nova administração assume um país divido, que precisará de tempo para reencontrar a estabilidade. Acompanharemos atentamente os próximos passos de Temer e não hesitaremos em apontar equívocos cometidos pelo Presidente e sua equipe.

Nesse ínterim, recomendo a todos que assistam o discurso na íntegra.

O Ministério de Temer e a primeira polêmica do novo governo

O fim de um governo que não deixará saudades