O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

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O fim de um governo que não deixará saudades

Agora é oficial, Dilma Rousseff está afastada, pelo menos temporariamente, da Presidência da República. Com 55 votos a favor e apenas 22 contra, o Senado Federal referendou a decisão da Câmara dos Deputados e confirmou a admissibilidade do Impeachment. A partir de agora, Michel Temer, assume de forma interina o cargo e os senadores tem até 180 dias para realizar o julgamento do mérito, e definir se Dilma deve ou não ser afastada em definitivo. Ao que tudo indica, a não ser que nada de extraordinário ocorra, a petista dificilmente sobreviverá a esse processo.

Embora os escândalos de corrupção desvendados pela Operação Lava-Jato tenham desempenhado papel fundamental para o afastamento de Dilma, o que definiu seu destino foi a profunda crise econômica que seu governo provocou no país. Sua opção por uma política econômica expansionista nos últimos anos, mesmo diante de crescentes dificuldades advindas do descalabro das contas públicas, foi criminosa. Em nome da vitória eleitoral em 2014, que lhe garantiu a reeleição, Dilma causou um dano ao país que demandará anos até ser reparado.

Enfrentamos hoje a pior recessão da história. O Produto Interno Bruto (PIB), que mede todas as riquezas produzidas no país, após um modestíssimo crescimento em 2014, quando cresceu apenas 0,2%, caiu 4,05% em 2015 e espera-se que caia mais 4% esse ano. A produção industrial, responsável por oferecer os empregos mais qualificados, teve seu pior desempenho na história em 2015, tendo queda de 8,3% e acumulando retração de 11,92% nos 5 anos de Governo Dilma. O rombo nas contas públicas chegou a R$ 111 bilhões no último ano, e foi o maior da história. A dívida pública atingiu incríveis R$ 2,79 trilhões, o equivalente a 47% do valor do PIB. O nível de inadimplência não para de subir e o número de pedidos de recuperação judicial cresceu mais de 97% no primeiro quadrimestre desse ano, quando comparado ao mesmo período do ano passado, e é o pior desde 2006. E como não podia ser diferente em um cenário como esses, o desemprego tem crescido de maneira galopante, atingiu em abril desse ano, 10,4%, pior índice em quase uma década, e segundo analistas deve ultrapassar os 12% ainda esse ano.

Aqueles que ainda ousam defender o Governo de Dilma, classificam seu afastamento como um retrocesso, mas como se pode ver, os números são impiedosos. Retrocesso na verdade é um país reduzir sua renda per capita em cerca de 40% em um período de apenas 5 anos. Retrocesso é saber que na melhor das hipóteses chegaremos a 2020 com uma renda equivalente a de 2011. Retrocesso é saber que essa já é considerada a "década perdida" por diversos economistas. O cenário é devastador, de terra arrasada e diante de um quadro desses, podem ter certeza, que Dilma Rousseff não deixará saudade alguma.

Que o novo Governo aprenda com as lições do passado, não cometa os mesmos erros, que realize as reformas que tanto o país precisa e não caia na tentação do populismo barato e irresponsável. Que os senhores Senadores, cumpram seu papel, agilizem o processo e afastem Dilma e sua turma de vez do Planalto. E que eles não voltem nunca mais.

Um novo começo?

O Governo Temer e a CLT