O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O paradigma de Michel Temer

Michel Temer é um presidente sem respaldo popular. A julgar pelas pesquisas de opinião, cerca de 10% dos brasileiros o apoiam, patamar semelhante ao de Dilma Rousseff antes de deixar o Palácio do Planalto.

Ao contrário da petista, entretanto, Temer ainda possui alguma força política, já que conta com apoio da maior parte do Parlamento. A votação do impeachment no Congresso Nacional e no Senado Federal é a prova maior de que o atual mandatário é eficiente nos bastidores e na articulação política entre os diversos partidos que compõem a base do Governo.

A falta de respaldo popular, ao meu ver, não retira a legitimidade jurídica do mandato de Michel Temer. Ainda que Dilma também gozasse de tal legitimidade, a ex-presidente perdeu completamente o apoio de boa parte das legendas que estavam ao seu lado, inclusive de parte do próprio PT. Sendo o impeachment um processo jurídico-político, como já analisado em artigo anterior, a ingovernabilidade ocasionada pela sua péssima gestão viabilizou a formação de uma maioria que votou pelo seu afastamento.

A citada legitimidade jurídica do mandato de Temer advém diretamente do texto constitucional e da legislação eleitoral, que transfere ao vice-presidente todos os votos recebidos pela chapa capitaneada pelo candidato principal, além de determinar com precisão o seu papel durante um processo de impeachment.

Falar que o atual chefe do Poder Executivo é um presidente sem votos ou sem sustentáculo jurídico, é portanto, uma incongruência do ponto de vista legal.

Dito isto, penso que Michel Temer tenha consciência que dificilmente será um governante popular. Além da avançada idade, não possui carisma e nem um histórico de vida que contribua para isso. O seu objetivo primordial deve ser utilizar sua maioria parlamentar para aprovar profundas reformas em nosso sistema tributário, trabalhista, previdenciário e educacional.

A total ausência de reformas significativas durante os últimos trezes anos talvez tenha sido o maior erro do PT que, em que pese o apoio político maciço, optou por fazer o básico, aproveitando a bonança do cenário externo sem ousar, principalmente durante a gestão Lula.

O resultado é que estamos envelhecendo antes de nos tornarmos ricos, tendência que precisa ser revertida o quanto antes com aumento de produtividade, inovação tecnológica, facilidade para investir, simplificação tributária e equilíbrio dos gastos estatais.

Não precisando temer uma impopularidade já consolidada e nem almejando reeleição, ousadia nas reformas é a única coisa que espero do nosso paradigmático presidente.

Um docinho pra você e outro docinho pra mim

Café com Politik #3